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A página da Rifenha de Vimianço

A nuite vinte e seis

Filed under: Cousas minhas, mundo — Rifenha at 10:53 pm on martes, outubro 9, 2007


Hoje é a nuite 26 do mes de Ramadam.

Segundo a tradição muçulmana, esta nuite as portas do paraiso ficam abertas e também as do inferno. É a nuite en que os anjos e os dianhos andão ceivos e nos visitam, na terra, e é também umha nuite de festa para os meninhos.

No Rif, na cidade na que eu vivia, esta nuite os meninhos e meninhas saiam à rua habilhados do melhorinho, com roupas de festa, jóias e alfaias, e eles com djilabas brancas e puchos de Fés, esses que são redondos, de color grana, e tem umha borlinha negra pendurada que se vai movendo ao caminhar. Também, essa nuite, pintam as mãos e os pés com henna, fazendo lindos dessenhos
Os fotógrafos colocavam suas cadeiras forradas de seda e abalórios na praça, coma se for tronos do rei e da rainha, tão kitch como só os marroquinos ou os marinheiros sabem fazer e os pais levam aos filhos para facerem o retrato que inmortaliçará esse dia.

Muitos meninhos vão à mesquita para pregar por vez primeira e caminham pola rua todos cheios de fachenda.

Tenho tanta saudade de Marrocos, que ainda penso que, se saio à rua, vou topar com as ruas ateigadas de gente, os amigos do bazar tomando chà na sua porta, a tenda de louça com o teito cheio de cipós, que o Suso dizia que era a selva de Tarzan, a terraça da Belle Vue, onde vou ir tomar um suco de laranjas doces de Berkane, mentras miro o mar e a lua, que se levanta.

Esses cafés de Marrocos, cheios de homens sempre e agora, nas nuites de Ramadam, mais.

Homens silenciosos, que jogam ou olham o mar sem se mover nem falar durante horas. Outros conversam, mas tão baixinho, que não se percebe nem o balbordo.

Os meninhos que vendem cigarros, que passam a miudo polas mesas, o vendedor das amendoas fritidas, os que seguem o futebol espanhol na tv, ou sintoniçam Al Jazeera.

Deus, como os estranho...!

Ainda fico là e penso que, quaisquer dia, abrirei os olhos, e volverei a Alhoceima, a caminhar as ruas costa arriba, subir os três andares, e entrar na minha casa, cheia de ruidos da rua, cantos do muecim da mesquita e recendo a hortelã do chà e a canela e amendoas dos pastelinhos de Ramadam

Chuzame! chúzame -

2 Comments »

Comment by ninsesabepuntocom

2007-10-10 @ 7.55 pm

Xa ves, aló tiñas saudade da terra…
Bonito relato e bonitas fotos, moi bonitas.

Comment by rifenha

2007-10-10 @ 9.45 pm

Como dizia Serrat:”No hay nada más bello que lo que nunca he tenido.
Nada más amado que lo que perdí.”

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