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A página da Rifenha de Vimianço

Nossa Senhora dos frutos

Filed under: Cousas minhas, Galiza — Rifenha at 11:45 am on luns, setembro 10, 2007

Esta fim de semana fui a romaria da Virgem da Barca e as suas pedras mágicas:

"Nossa senhora da Barca,

tem a porta cara o mar.

Um pouquinho mais abaixo,

tá a pedra de abalar "

Também a Guadalupe, em Rianjo, que, ademais é negra, como as antigas deusas da terra e da fertilidade, talhadas em obsidiana negra. Símbolo da terra, escuridade onde tem de durmir a semente para germolar.

A Virgem de Guadalupe

quando vai pola ribeira.

Descalzinha pola areia,

parez umha rianjeira".

Na beiramar e no interior.

Setembro é o que tem. È tempo de frutos maduros, cereais nas tulhas - o milho é moderno, veu das américas- e vendimas de ácios e de maçães.

A iconografia das virgens de setembro, quase sempre as apresenta coroadas de estrelas e com a lua aos seus pés.

Estrelas-constelações- e lua que marcam o tempo da agricultura e também da pesca:

Sementeiras, colheitas, tempo de sardinha, de ameixas e berberechos, de luras...

Estas romarias são, ao meu ver, preciosas.

Verdadeiras festas de catarse coleitiva nas que, mentras dura a noite, a gente entrega-se á orgia da desinhibição total e, logo, ao abrir o dia, vai subindo cara as pedras que arrodeiam o santuário, para receber o sol purificador.

Com o cansaço da nuite reflectido na cara.

Hà quem se identifica para os da sua tribo, com sombreiros de charro, de cow-boy ou com panos de pirata.

A lus do dia é terreio da festa mais organiçada: A misa, os exvotos de cera, as ofreças, as estampas do icono simbólico da virgem, a processão , a traca que ameaça com estoupar a vila enteira, as merendas, e, o menos divertido: O negócio do crego, que enche sacas de dinheiro negro.

Mas suposso que nos ritos de colheitas antigos, passaria o mesmo. Porque os humanos somos assim desde sempre, e sempre hà aproveitados e cobiçosos que se aproveitam da boa fé dos demais.

Mas essas são as contradicções da vida. E mesmo do mundo e, e se me apuram, do cosmos:

"O que quer lamber o mel tem de se picar com os agulhões"

Assim dizia minha avoa.

Mália tudo, a festa da Nossa Senhora das Colheitas, segue viva, e esso indica que ainda não nos desvinculamos totalmente da terra que nos alimenta. Coma umha mãe nutrícia. Os seus icones seguem vivos ainda por toda a geografia da nossa feminina e maternal terra.

"Una gran señal apareció en el cielo: una Mujer, vestida del sol, con la luna bajo sus pies, y una corona de doce estrellas sobre su cabeza; está encinta, y grita con dolores del parto y con el tormento de dar a luz..."

(Apocalipsis 12:1-2, Biblia de Jerusalén)

Doce estrelas. Doce meses do ano. O sol, a lua, o parto. Faz falta algo mais para saber ?

Chuzame! chúzame -

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