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A página da Rifenha de Vimianço

O caminho

Filed under: Cousas minhas — Rifenha at 7:19 pm on xoves, xullo 12, 2007

"Al andar se hace camino

y, al volver la vista atrás,

se ve la senda que nunca,

se ha de volver a pisar.

Caminante, no hay caminos,

sino estelas enla mar."

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"Deixo, en fin,

canto ben quero.

Quen puidera non deixar...!"

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"No hay nada más bello

que lo que nunca he tenido.

Nada más amado

que lo que perdí" .

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Basta pensar em sentir
Para sentir em pensar.
Meu coração faz sorrir
Meu coração a chorar.
Depois de parar de andar,
Depois de ficar e ir,
Hei de ser quem vai chegar
Para ser quem quer partir.

Viver é não conseguir.

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Poi sim, fico experimentando essa fase da vida humana que é a contradiçao entre a insuportável levidade e a gravidade do ser.

Após de vintatrês anos fóra, volvo a Vimianço, à minha casinha açul e branca, às minhas àrvores , ao meu galinheiro reconvertido em jardim.

E fico leda por ter tomado a decissao.

Mas nao posso arrincar do coraçao a a saudade do Rif.

Tampouco a de Antón Mouzo. Nao tou afeita a que morram amigos. Ainda nao tenho a idade essa na que os amigos e conhescidos vao indo para além e umha se afaz às perdas.

Se vou ao "mercadillo", lembro o Souk de Alhoceïma, cheio de berros, arrecendos, teas brilhantes, queimadores de cozinha e pedaletas de bicicleta de segunda mao.

Também lembro todo aquel rio de gente polas ruas, com seus turbantes, suas djelabas e aos meninhos jogando futebol no meio da rua, estampando a bóla contra as portas dos garagens...

Ao vendedor que pregoava caracois com seu burro, ao da ligívia , ao do peixe...

As terraças cheias de gente bebendo chà e as açoteias cheias de parabólicas e roupa tendida ao ar.
Os bazares, as tendas de géneros para os kaftaes, de sedas e bordados , as ourivesarias onde os futuros maridos rifenhos pagam as jóias que as suas prometidas escolhem, para locir nas festas e para terem um depósito quando o precisem.-Minha avoa sempre dizia que havia que guardar para umha enfermidade...-

Vai ter razao o meu psiquiatra no da hiper-sensibilidade, porque, após de pagar o bilhete de aviao para mim e para o meu filho-eu soa nao me considerava capaz- ao fim nao fum quem de me ir despedir do Rif, dos meninhos, da cidade...Perdí o importe dos bilhetes e deixei que o Suso se arranchase com tudo, porque, no fundo, nao tive valor para dizer adeus, como tampouco para acompanhar à família de Antón Mouzo no seu enterro.

Todos os seus amigos ficavam alí, mas eu nao pudem.

Como tampouco posso rematar o meu relato "Mar e Terra, um relato inacabado."

Porque tampouco sou quem de fuzilar ao meu avó no campo da Rata aquel 9 de decembro do 1936.

Nao sei se é hipersensibilidade ou covardia. Ou as duas cousas.

Mas meu coraçao nao é quem de afrontar os adeuses.

Assim vai guardando tudo, dentro, là dentro, e, às vezes, só sou capás de o expresar con cançoes, ou dançando, nas festas do verao, ou escrebendo por aquí algumha destas minhas cousas que vós tao amavelmente ledes.

Algúm dia, quando a ferida sande, hei de volver ao Rif, ou visitar umha exposiçao de Antón Mouzo, ou rematar o meu relato.

Tal vez. Inchallah...

Chuzame! chúzame -

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