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A página da Rifenha de Vimianço

A imperatriz

Filed under: tarô — Rifenha at 12:00 am on venres, febreiro 16, 2007

A imperatriz é a carta número três do tarô.

O Número tres, é o da vida: O um mais o dous,que ficam sós, num princípio, dão lugar a um terceiro, resultado da suma e a união, na sequéncia da vida, que vai evoluindo a partir dum princípio, e subindo, chanzo a chanzo, pola escala da evolução, tanto na sua manifestação externa, no mundo físico, como interna, no micro-cosmos que somos cada um de nós, numha linguagem simbólica.

Se observamos a carta da imperatriz, podemos percever muitas cousas que tem a ver com símbolos da nossa psique, coma em todas as cartas do tarô.

Assim como o emperador representava o mundo masculino de cada um ou umha de nós: O ánimus, emprendedor, pragmático e racional, preocupado polas posessões materiais, a figura da imperatriz é totalmente diferente.

Aparece de frente, sentada numha postura acolhedora, receptiva,olhando cara o lado esquerdo, o do mundo emocional, dos sentimentos e da fertilidade criadora.
Com a mão dereita tem bem agarrada a águia, símbolo do elemento água, em sinal de aceptação e valoração do mundo interior e das emoções e sentimentos que em suas águas se produzem.

O cetro, porta-o na mão esquerda também, mesmo inclinado cara esse lado. Porta-o com soltura, sem se aferrar ao poder que lhe confire, mas como manifestação do seu reinado sobre o reino da vida, da criação, da imaginação.

Sua cabeça, vai coroada, mas a coroa não chega a tapar seus cabelos, que se estendem por seus ombreiros como símbolo de feminidade.

Detrás do seu trono, não parece haver nada, porque ela vive, sem se preocupar de refleixoar o que pode haver detrás.

È um símbolo da ánima, o lado feminino, emocional, criativo e fértil do ser humano.

A nossa sociedade occidental, neo-liberal e capitalista, não faz muito caso da imperatriz, nem a valora muito.

Mas nós, a gente comúm,e sobre tudo as mulheres, e mais ainda as mães, conhecemos melhor a imperatriz, dadora de vida, emocional, apaixoada por viver e acolher.

Tal vez os senhores varões deberam de reconher a sua imperatriz interior, para expressar melhor suas emoções, seus sentimentos, asumir o papel de progenitores e cuidadores dos seus filhos, olhar algo mais cara o lado esquerdo, que é o do coração e não ficar tão rígidos sentados no trono do emperador, com as pernas cruçadas formando o número quatro, dos negócios e as posessões materiais.

Um equilíbrio e umha assunção por parte de tudos de cada arcano, pode ser umha boa maneira de descubrir a riqueça de possibilidades que atesoramos no nosso interior e a felicidade de sermos mais completos.

Chuzame! chúzame -

A rambóia

Filed under: Cousas minhas, Galiza — Rifenha at 10:13 am on xoves, febreiro 15, 2007

A rambóia é umha palàvra que escuitava a miúdo de pequena, e que agora, não dei atopado, nem sequer no dicionário estupendo do senhor Estraviz.
Minha mãe, minha avoa, e, portanto minha irmã e mais eu, assim como a gente de Vimianço, até onde eu sei,-por suposto de quarenta ou mais- quando alguêm vai em grupo para umha festa, ou para fazer algo alegre, ou também com ironia ou retranca, dizem: Aló vão, juntos ma rambóia. Minha avoa Amparo, que tinha problemas para falar, depois dumha embolia, dizia: "Aló vaõ. Tudos na rambambóia".
Outra vez, num curso desses que a CIG organiza para os mestres, e que são tão bons-ou eram até hà seis anos-, num obradoiro de música popular que impartiam dous dos ex de Fuxam os Ventos-encantadores, mas não digo aquí os nomes que penso que tem, por medo a me trabucar. A minha saúde mental não anda muito bem últimamente-.
Pois dizia que no obradoiro, travalhamos cancções onde saia a palàvra rumboia, que, como tinham ar de rumba e falavam de La Habana, pensei eu que a minha rambóia era umha espécie de rumba trazida polos habaneiros e adaptada ao galego.

Mas, como eu tenho tanta queréncia polas palàvras da minha infáncia, que se vão perdendo a passos de gigante, pensei em vir aquí, com vós, para ver se algúm conhece a palàvra.

E, como não atopei no Estraviz, dou-me assim um arrouto de ir pesquisar ao Priberam.

E olhade que atopei:

rambóia


s. f.,
vida airada;

vida de paródia, de borga;

boémia;

estroinice;

vadiagem
 
E digo eu...Menos mal que nos queda Portugal.
 
Espero que, estes dias de entruido, andedes  de rambóia.

Chuzame! chúzame -

Como um bombo

Filed under: Cousas minhas — Rifenha at 6:55 pm on mércores, febreiro 14, 2007

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Pois sim.
Assim me ta quedando a cabeça estes dias de tanta lea com a rede.
Que se oescunchador desapareceu da Blogaliza onde vai, que se o blogger das históriasderavaleiros, não me deixa postar como é debido, que não podo tampouco entrar no correio gmail, que se os meus vizinhos de todos os remotos lugares deste pais enchem os cibers todas as tardes para chatear e o adsl vai mais lento que um sapoconcho com reuma...Que de inglés, só sei download e upload, que  de pequena lia tebeos... O formato do tebeo, nada que ver com este.
Em fim. Que, se não tendes novas minhas, jà sabedes o por que.
Estes administradores andam decote a fazer mudanças que não digo que não sejam boas, mas a mim rompem-me o sentidinho tudo...O pouco que tenho.
Voume despedir cumha frase do meu sobrinho Jaquim, quando era umha criança e veu comigo à Praia dos Muinhos.
Escapou-me a correr e eu berrei-lhe para que parase, e ele, que é um cinéfilo empedernido, diz-me:
Tranquila, madrinha:
"VOLVERÉ"!!!!!

Chuzame! chúzame -

A terra treme.

Filed under: Africa, Cousas minhas — Rifenha at 2:38 pm on luns, febreiro 12, 2007


Pois sim. A terra treme também, como trememos nós.

A terra treme quando se encontram duas placas tectónicas diferentes e se roçam, mais ou menos dócemente.

É o reflexo, a grande escala, do que passou quando ti mais eu nos encontramos e tudo tremiu, com intensidade 9 na escala de Ritcher, derrubando muros, edifícios, cidades enteiras, dentro de mim, e deixando tantos mortos entre os escombros...

Hoje tremiu a terra no Cabo São Vicente. Eu senti dançar o meu imac e pensei que era com a força das canções de Ché Sudaka, que tava a escuitar mentras escrevia sobre eles em historiasderavaleiros.
Mas agora vem o Suso- a realidade cotiã- para me dizer que seica diz o teletexto que fui o tremor do Cabo São Vicente.

A onda chegou desde o Al Gharb ao Al Magreb, percorrendo caminhos subterraneos.

Eu, que viví miles de sacudiduras que vam desde o 6.3 até o 3.9 de hà dias nesta cidade, chantada acima da confluência da linha que une-ou divide- as placas europeia e africana, -ti Europa. Àfrica, eu.-nunca tive medo dos tremores, mália ver os mortos, amoreados na fábrica de geo do porto, por não ter sitio na morgue do hospital, ou os velhinhos sós, sem casa nem família, no centro de acolhida de meninhos orfos , habilitado para os acolher.

Vi e viví suas caras, inexpressivas, seus corpos encolhidos ,nas camas apertadas na sala que ficava pequena para tanta gente.
Sua olhada tranquila e seu sorriso de agradecemento, apenas insinuado, quando colhiam as cousas que Hayat e mais eu lhe recolheramos para eles.
Mesmo sua indiferéncia frente ao que não precisavam para si.
"Eu não preciso. Da-lha a aquele, que não tem."

Quantas leições de vida aprendi dos meus vizinhos rifenhos do campo, durante o terremoto...

Dos vizinhos da cidade, também aprendi como se pelejavam pola ajuda dos camiões, como aguantavam cada nuite nas "jaimas", durante messes, e algumhas cousas bem divertidas também.

Coma quando meu vizinho de enfrente, Mustafa -daquela ainda viviamos na rua das Nações Unidas -Umma Mutahidda- corria diante das vizinhas do lado, três moças e a mãe, que compartiam com ele e a família -mulher e três meninhos, um deles de dous messes- o ilhó que hà no cruzamento entre a rua que vai ao "Souk de los Pinos" e a que sobe cara o bairro Marmuxa, o mais alto da cidade. Pois alí, no ilhó, plantarom Mustafa e as vizinhas suas "jaimas", em boa vizinhanza.

Mas, o demo, que não tem parada, quixo que umha nuite Mustafa saisse da tenda para mejar e, ao volver, às escuras, entrou na das vizinhas, deitou-se e agarrou-se a umha das moças pensando que era sua mulher.

Para o outro dia, amahã, eu tava no meu balcão regando nas plantas, e vejo passar a Mustafa diante, engurrunhado, coas mãos na cabeça, e às quatro mulheres berrando atrás.

Chamei por Hayat, e ela faz-me de tradutora. E ainda bem que as mulheres não levavam nada na mão, porque, entre as três, iam-lhe dar umha malheira boa.

Assim é a vida.

Tem alegria, tristeça, dor,felicidade...mesturadas em proporções que variam.

O que nunca deberia faltar é, ao meu ver, o humor.

Ele faz que tudo seja relativiçado e mais levadeiro.

Ponha umhas pingas de humor na sua vida...

Chuzame! chúzame -

O meu mundo

Filed under: Cousas minhas — Rifenha at 10:00 pm on sábado, febreiro 10, 2007

 

O meu mundo é um mundo inmaterial, sem entidade física mais aló das minhas moléculas ou das partículas-ondas que se concentram na realidade virtual da minha mente.
E por mente entendo tudo: As neuroninhas que faz suas conexões de serotonina, chispando lentas, ou velozes coma lóstregos. As enrugas da minha cara,que ainda não se percevem apenas.
O meu corpo, com seus processos de respiração, combustão, de eliminação de resíduos.
Meus olhos, globos de água que percevem a luz...

O meu mundo são os carreiros, arrós e correduiras da minha infáncia num val de Vimianço que jà não existe.

As histórias que me contava minha tia Estrelinha, mentras debulhavamos no milho e nos chícharos secos ao pé da janela do corredor dos animais, mentras viamos esvarar a chuva polos vidros e escuitavamos repinicar as pingueiras no chão.

Os sete anos de escura friagem do internado  das freiras, com seus corredores recubertos de "vitraico" amarelo e seus dormitórios caarcelários.

Os tres anos em Barcelona, onde perceví, por primeira vez, depois dos dez anos da minha infáncia, a vivència da liverdade .

As viagens a este pais onde moro e os quase seis anos vividos entre souks, bazares, turbantes, babuchas e cantos de muecim, na filosofia do inchallah.

A gente que amo, com quaisquer das fazetas ou expressões do amor.

Estes momentos de diálogo e contato fóra do espaço que comparto com vós, a través da aranheira mágica, onde vou abrindo janelas ao meu mundo, escunchando as espigas da minha meda.

Tudo esso conforma a minha existéncia, e outras cousas mais, em maior ou menor medida.

São os meus sinais de identidade, nos que tento reflectir todos os momentos de liverdade, os lugares mágicos, o amor desplegado  ao longo do caminho que me traz até aquí.

Mas hà outras cousas das que não gosto, e porém, ficam aí também, ainda que eu não queira as ver.

A tristura, a frustração, a desilusão, a soidade, o medo...

Essas cousas não debem de ficar sozinhas, agochadas no faiado dos trastes velhos.

Hà que as trazer à nossa presência , para as reconhecer, agarimar e deixar que se quentem ao calor do nosso colo.

Porque elas também formam parte do nosso mundo e, se as tentamos ignorar, ficaram à espreita e, quando a porta, por um açar, fique mal fechada, sairam anojadas, cheias de ódio e de genreira, coma um dragom, que nos abrasará com seu alento de lume e laparadas.

E abrasaram nosso eido, as nossas colheitas de felicidade e, quando acabem, sairam, cegas, na procura de alguém para continuar. Alguém que nem sequer tem nada a ver com nosso mundo, nem com os monstros que fomos alimentando na escuridade.

Chuzame! chúzame -

Agorafobia

Filed under: Cousas minhas — Rifenha at 10:24 pm on venres, febreiro 9, 2007

Antes de nada, dizer que todas estas cousas que gosto de vos contar nos meus blogues, não tem carácter científico, nem literário, nem de ter grandes conhecementos sobre nada.

São apenas histórias de pessoas, de personagens, de ideias, de tudo um pouco, mas sem nemhumha pretensão de ter seguridade nem certeza de que, o que digo, possa servir para outros como serve para mim.

Muitas vezes, falamos das cousas e emitimos juiços, quando o certo é que o nosso ponto de vista é únicamente nosso e nem sequer podemos saber se os demais vivenciam ou sentem as cousas coma nós.

Por esso eu prefiro contar minhas histórias, deixando constáncia de que só é o meu ponto de vista o que ta a dar a perspectiva da realidade que conto.

Digo tudo esto, porque, muitas vezes, a gente da conselhos e recomendações aos demais sem ter nem ideia do que ta a falar.

E vou vos contar umha história que lhe passou a umha minha amiga, mas que lhe pode passar a quaisquer- oxalá que assim não seja-.

Resulta que esta minha amiga tem umha doença física que se traduz, por tempadas, em episódios de alterações da sua psique, ou mundo interior.

Quando esto lhe ocorre, o primeiro síntoma da sua doença, é a agorafobia.

A gente pode pensar que a agorafobia é o pánico aos grandes espaços abertos, como a cruçar umha praça, ou passeiar pola rua.

Eu também pensava assim, até que vivi de perto o problema desta minha amiga.

Com ela, ao ir vendo o processo da sua crise, percevi claramente que a agorafobia não é o pánico a cruçar umha praça. Porém o pánico a transpassar os límites dos espaços onde se atopa segura e ilhada de outras pessoas que podam interferir em seu espaço interior e, por extensão, exterior.

Minha amiga só é capaz de ficar em sua casa, mesmo em certos lugares da sua morada, e mesmo hà salas a onde não é quem de entrar, porque teme transpassar os límites da seguridade. Tem a cozinha no segundo andar, e para subir, tem de sair às ecaleiras. É incapaz de transpassar a porta da saida, a grande porta que comunica com o mundo exterior, que se lhe faz estranho e inquietante, ainda que só seja a açoteia do edifício, aberta às açoteias da cidade e ao céu inmenso, táo grande, tão desacougante...

A gente, ao ver que não é quem de sair, da-lhe conselhos:

Deberias de sair à rua, distraer-te, dar passeios pola ribeira,falar com a gente...

Quando dizem estas cousas, não sabem para nada o que lhe passa por dentro.

Nada sabem de sua angústia, do pánico terrível que sinte, de que, para ela, sáir à rua, é como aterrar num planeta desconhecido povoado de alienígenas que desfilam diante dela coma seres dum mundo de sonhos muito distante...

Até que um não vive as cousas de perto, não pode percever a verdadeira natureça das cousas.

Por tanto deberiamos aforrar conselhos e juiços e ter mais capacidade de respeitar, jà que não empatiçar com as vivéncias dos demais.

Se não, as nossas conversas serão monólogos ou, como muito, diálogos de surdos.

Chuzame! chúzame -

O emperador

Filed under: tarô — Rifenha at 7:27 pm on xoves, febreiro 8, 2007


O emperador é a carta número quatro do tarô.
Na numerologia, o número quatro fica unido aos símbolos da matéria, do mundo material.

Aplicado às pessoas, significaria autoridade, poder e posessões.

Cada motivo que aparece numha carta do tarõ tem um significado simbólico, que serve de pauta para comprender melhor todas as forças que andam em dança no nosso interior, e como todas debem de ficar em equilíbrio e harmonia, se não queremos ser dominados por elas.
O emperador, o número quatro, significa o ánimus, ou elemento "masculino" que toda pessoa guarda em seu interior.
Todos os motivos que aparecem no dessenho, tem sua razão de serem là, se examinamos um por um:

O emperador, não fica de pé, mas sentado nun trono que na parte inferior leva umha águia.
A águia é o símbolo do elemento água, à sua vez símbolo dos sentimentos, da afectividade e das emoções.
Logo, o emperador, fica por acima das suas emoções, que não desaparecem, mas ficam relegadas à parte inferior da sua realidade, sem ter um papel relevante em ela.
No mesmo senso, observamos que , na figura, predomina o lado dereito sobre o esquerdo:
A perna dereita sobre-pôm-se à esquerda e o braço dereito é o que sostém o cetro: A atitude das pessoas ou dos momentos regidos pola razão, o sentido prático e o pragmatismo.
Na parte inferior da carta, aos pés do emperador, agromam umhas ervinhas, a vida natural, a natureça, mesmo a sua própria condição de ser que pertence ao mundo natural, mas ele não as ve porque, simplemente, não as mira. Fica com a vista no frente, impassível, sostendo o cetro com o orbe do mundo, e a coroa que lhe cobre toda a cabeça. Coma se essa sensação de poder e autoridade, não deixasse lugar para outros pensamentos.
Assim fica estático, majestuoso,seguro de si mesmo e do seu papel no jogo da vida...
Tudos, de vez em quando, precisamos do sentido prático e da autoridade do emperador. Cada carta do tarô e um arquetipo das nossas forças interiores e, observándoas com atenção, são coma um máster de sabedoria pessoal.
Mas também hà pessoas que ficam atrapadas no emperador e a força do arcano, não as deixa avançar em sua evolução pessoal.
Ficam toda a vida apegadas ao interese, à ambição, aos desejos de poder e domínio e, atrapados no arquetipo, não são quem de seguir o caminho polo resto dos arcanos, até completar a via da vida vivida em todas as suas facetas e situações anímicas, que é o verdadeiramente arriquecedor e o auténtico sentido da vida, como umha viagem polas possibilidades que se nos oferecem em cada momento.

Seguramente estes personagens tem muito a ver com o post de onte.
A tv, a imprensa e os meios de informação, em geral, ficam cheios de emperadores atascados no número quatro.

Chuzame! chúzame -

De consumo, consumidores , consumidos e “dias de”

Filed under: mundo — Rifenha at 10:04 am on mércores, febreiro 7, 2007

Há poucos dias celebramos o dia dos cinco minutos de apagamento das luzes.

Há muitos anos. Polo menos, mais de quince, ía eu um dia caminhando pola Rúa da Senra, em Compostela, e achegou-se um moço cum microfone na mão, e pediu-me se lhe respondia a umha pergunta. Disse que era da Rádio Galega.
-Bom.

-Que opina você, como consumidora, de que El Corte Inglés abra os domingos e dias de férias?

Semelhava umha pergunta inocente , mas não o era.

Não polo entrevistador, que fazia um trabalho de rutina, coma cada dia, para ganhar seu salário.

Mas pola visão da vida que implicava a pergunta.

-Perdoa, mas, antes de consumidora, sou ser humano, mulher, trabalhadora, mãe......

Consumo o que preciso para me sustentar e ter umha vida digna, mas esso não me converte em "consumidora". Que eu saiba, consumidora não é umha clase social, nem umha condição, nem umha prerrogativa innata, nem adquirida. E, com o dinheiro que ganho, abonda-me ir a El Corte Inglés umha vez ao ano. Os dias da semana, sobram-me tudos.

Como ser humano, opino que as pessoas tem de ter tempo livre para serem felices. Como mulher, opino exactamente o mesmo. Como trabalhadora, solidarízome com os trabalhadores que tem dereito a ter seus dias de férias coma caisquer operário.Para esso as folgas, revoluções e sofrimentos das claes operárias de todo o mundo ao longo da história. Como mãe, solidarízome com as empregadas e empregados que tem filhos e precisam tempo para os atender e os disfrutar.

Nos anos que foram passando desde aquele dia, cada vez , as pessoas do chamado "primeiro mundo" somos menos cidadãos e mais consumidores.

Mas , para que haja comsumidores , tem de haver consumidos .

Consumidos em África, onde as petrolairas francesas Elf, Total e demais estrucham aos paises e as pessoas para que nós podamos correr em nossos carros até para ir mejar e elas possam medrar mais e mais, numha carreira sem fim.

Consumidos no Congo-sempre àfrica- para que velhos, meninhos e demais gente escraviçada, deixe a vida extraendo o coltán que precisamos para os nossos telemóveis , que mudamos cada mes, por aquilo das novas prestações , ou pra as nossas play-stations. Aquí são as grandes companhias de alta tecnologia as que engordam seus dividendos.

Consumidos na Guiné, onde tem umha ilha Malabo, que aboia acima dumha bolsa de petroleo e morre de fome e de enfermidades porque todas as farmácias do pais pertencem a um familiar do presidente e, quanto menos higiene, mais negócio para a família. Tudo, esso sim, com o consentimento do nosso "primeiro mundo".

Ta muito bem fazer "dias de". Parece-me bem para chamar a atenção.

Mas, mentras não mudemos a mentalidade de consumidores pola de cidadãos, as cousas irão de mal em pior.

Desculpas por vos botar este discurso.

Mas é que me ferve o sangue pola gente deste continente onde agora vivo, ainda que seja aquí no norte, mais perto dos consumidores que dos consumidos.

Chuzame! chúzame -

William Blake II

Filed under: Cousas minhas, mundo — Rifenha at 1:50 am on martes, febreiro 6, 2007

Sobre este interesante e genial criador, podem-se escrever centos de páginas. Mas não é essa minha intenção.

Como gosto muito das artes plásticas, em geral, vou-vos explicar algo da originalidade deste personagem criativo, original e fascinante que fui William Blake.

Blake, rejeitava os circuitos capitalistas de produção e distribução de livros, na época dourada da imprensa, e compom a maior parte da sua obra, polo método de gravação em chapa de metal.

Indo cotra a corrente da produção em massa, ele inventou e aperfeiçoou um novo processo: umha forma de gravação que permitia imprimir o texto e a imagem ao mesmo tempo e depois pintava o resultado à mão, à maneira das iluminuras.

A sua obra situa-se, assim, entre a era do manuscrito (anterior à invenção da imprensa) e a era da "reprodução mecânica" da obra de arte; entre a iluminura e a moderna banda desenhada.

Nessa lavor, não ficava só. Aos 25 anos, casa com a sua companheira e esposa de toda a vida, Catherine Boucher. Nunca tiveram filhos. Blake ensinou Catherine a ler, a escrever e a ajudá-lo no seu trabalho. Assim juntos iriam produzir Cantigas da Inocência (1789), o primeiro dos livros a ser completamente impresso e iluminado segundo o processo inventado por Blake. Para esta edição e para outros projectos, Blake gravava as chapas enquanto Catherine fazia as impressões, ajudava a colori-las à mão e construía os livros.

Inventou um método de imprimir ao mesmo tempo a Letra e a Gravura num estilo mais ornamental, uniforme e magnífico do que qualquer outro anteriormente descoberto, e que produz obras a menos de um quarto dos custos.

           

Num prospecto de 1793, Blake salienta este seu controlo como autor sobre os materiais e os meios de produção.

Esso era o que vos queria contar de William Blake.

A sua decissão de unir novamente, de forma orgânica, imagem e texto em plena época moderna.

Sempre se pode ir contra corrente. Se se tem o talento e a vontade precisa para o fazer.

Chuzame! chúzame -

Personagens . William Blake

Filed under: mundo — Rifenha at 12:48 pm on luns, febreiro 5, 2007

William Blake, poeta, gravador, pintor , crítico social, visionário.

Viviu no fim do século XVIII e começos do XIX, em tempos de três revoluções: A Revolução Francesa, a Revolução Americana e a Revolução Industrial.

De personalidade complexa, em difícil equilíbrio entre a bipolaridade, explorou terreos e mundos da imaginação e expresou-os como munca antes o fizesse ninguém.

Profeta de simbolistas, surrealistas, e até de Jim Morrison, o cantante de The Doors, ele é um artista e umha pessoa muito especial e interesante, ao meu ver.
Deixo-vos umha mostra da sua arte.

Amanhã explicarei mais cousas de William Blake, para quem queira saber algumha cousa mais.

"O mundo da imaginação é o mundo da Eternidade. É o seio para o qual nos dirigimos após a morte do corpo vegetativo. Esse mundo é infinito e Eterno, enquanto o mundo da procriação é finito e temporal. Todas as coisas, em suas Formas Eternas, estão dentro do corpo divino do Salvador, a verdadeira voz da Eternidade, a Imaginação Humana."


"O caminho do excesso leva ao palácio da sabedoria.
Prudência é uma rica, feia e velha donzela cortejada pela Impotência.

Aquele que deseja e não age engendra a peste.

Prisões se constroem com pedras da Lei; Bordéis, com tijolos da Religião.

Assim como a lagarta escolhe as mais belas folhas para pôr seus ovos, o sacerdote lança sua maldição sobre as alegrias mais belas."

"Se as portas da percepção estivessem limpas, tudo se mostraria ao homem tal

como é, infinito"

Chuzame! chúzame -
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