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O azivinho

Filed under: Cousas minhas — Rifenha at 11:11 am on martes, febreiro 27, 2007

O azivinho, ou azevinho, acivro, acibreiro, acevo, acibeira, acivreiro, acibra, acibreira, cebro, escornacabras, rascacú, velhebrão, xando, xardeira, xardo e xardom, que todos esses nomes tem na fala, é a última árvore que plantei, até o momento, no terreo da beira do rio.

O Ilex aquifolium em realidade, não é umha árvore, mas um arbusto que pode chegar, silvestre, aos dous e até os cinco metros de altura e se é cultivado, coma o meu, disque pode acadar até os vinte metros.

Espero que não chegue a tanto. Todas as cousas tem de ter o seu jeitinho e um arbusto de vinte metros será algo muito, digo eu...

Pode viver muitíssimo tempo. Conhescem-se casos de ter acadado os trescentos anos.

É o bom que tem plantar árvores.

Eu ainda como castanhas e tomo a sombra dos castinheiros plantados na horta por meus tataravós. Eles são, em certa medida, a sombra dos nossos, que nos protege além do tempo...

Espero que os meus netos- se os tenho, porque os moços de agora não estão pola labor- me lembrem quando sentem baixo das minhas árvores, como eu lembro ao meu avó, e até aos velhinhos da casa, ainda sem os ter visto nunca.

Pois indo ao tema.

De seguro que tudos conhescedes de sobra o azivinho, tão presente na iconografia do Natal, com suas bolinhas vermelhas e suas folhas dum verde brilhante com bicos de espinhas que nunca desaparecem. De tudas as árvores que plantei, é a única perennifólia.

No nosso pais, há azivinhos silvestres na serra de San Mamede (concellos de Maceda, Montederramo, Vilar de Barrio e Laza); na serra dos Ancares; no Incio; no val do Lóuzara, río que abrolla no concello da Pedrafita do Cebreiro e vai dar ao río Lor na parroquia de Folgoso do Courel,en Cabeça de Manzaneda e Chandrexa de Queixa.Concretamente na zona de Chandrexa, xunto o río Navea hai moitos. Tamén na zona do Invernadeiro, Verín, no monte Oribio do concello de Samos; no Courel, sobre todo na Devesa da Rogueira

“a máis belida e rica reserva botánica de Galicia e non precisamente pola súa extensión. a Rogueira abundan tanto as faias como os carballos corporentos (rebolos). Tamén os teixos, acivros (xardós ou xardóios), avelaneiras,..”

São palàvras do grande poeta do Caurel, Uxio Novoneira.

Também atopamos azivinhos perto da costa como na fermosa fraga de Caaveiro ou mesmo os corpulentos especímens da parroquia de Morgadáns , no concello de Gondomar.

Os frutos do azivinho, mália ser tão lindos, são tóxicos. Produzem diarreias, vómitos, convulsões, e em crianças, mesmo a morte.

As folhas, tem propriedades febrífugas, sudoríficas, diuréticas e laxantes. Segundo a medicina popular a cortiza do azivinho, macerada en água, ajuda a curar a epilépsia.

A madeira do azivinho é clara e muito dura. Utilizava-se para tornear e também, tinguida, fazia-se passar por ébano. Também para mangos de caçolas e ferradas, por aguantar muito a calor, e também para varas com aguilhão para aguilhoar às vacas e aos bois.

Com a casca do acivro, fazia-se umha goma peganhenta que, untada numha varinha, servia para atrapar aos passaros perto dos seus bebedeiros, pondo-lhe um engado de mingalhinhas de pão. Esse produto cahma-se visgo ou liga, mas suposso que agora jà não haverá raparigos que sigam a a utiliçar para colher xilgaros ou reisenhores.

Sobre o azivinho no calendário celta e no alfabeto óghmico, ja vos falei, mas hà muitas lendas vencelhadas ao azivinho.

Umha delas, é a póla do azivinho para acadar o amor dumha moça: Cortámo-la a nuite de San João as 12 mesmo e a pasamos 13 veces por baixo das ondas do mar, rezando un credo de cada vez, e depois com ela tocamos a moça escolhida.

O facto de ter follas e froitos durante o inverno foi considerado como un símbolo da vida que aguanta o esmorecemento do resto da vegetação durante esa estação do ano. O costume de usar pólas de azivinho no tempo do Natal ven do moi antigo; as tribos xermánicas, na entrada do inverno, punham nos seu cuartos pólas de azivinho.

Para os romanos estava associado às festas saturnais celebradas no fim de dezembro na honra do deus da sementeira e da agricultura: Saturno. Tal costume foi estendéndose polo mundo chegando no século XVI ao continente americano coa invasión europeia dese continente.

Precissamente no continente americano, há umha árvore da família do acivro o Ilex Paraguarensis, mais conhescido como herba mate,ou chà brasileiro, que os argentinos, paraguaios , uruguaios e brasileiros do sul, levam sempre com eles para dar uma sucada de vez em quando da sua "bombilla"

Para rematar, dizer que o azivinho é umha árvore unisex, quer dizer que, para que deia fruto, tem de haver duas árvores: Umha masculina, e outra feminina, que é a que da os frutos tão lindos em bagas vermelhas.

A desaparição das árvores femininas, supusso também a desaparição de muitos animais que se alimentavam das suas bagas, como o urogalo, ou pita do monte.

O tordo, que também come dos frutos,e o corzo que se alimenta das folhas, por sorte ainda existem.

O azivinho é, comtudo, umha espécie protegida


Ademais, a mesta folhagem da lugar a que a temperatura no interior dun azivinho chegue a ser uns 4ºC superior á temperatura no exterior polo que serve de acubilho de moitos passarinhos que escapan asim das ventiscas e nevaradas e mesmo se ocultam dos seus predadores naturais como o minhato e o açor . Estudos feitos nos Ancares demonstran que no cru inverno un 67% dos passaros foram atopados vivindo nos azivinhos.

Jà vedes como umha árvore também pode ser umha casa. Mesmo um refúgio em tempos difíciles.

Bem. Espero que disfrutasses do azivinho. A mim só me resta mercar um companheiro masculino para plantar à beira da sua parelha e que os dous se namorem e vivam felizes para sempre...

Chuzame! chúzame -

2 Comments »

Comment by ninsesabepuntocom

2007-02-27 @ 6.25 pm

Sempre aprendo cousas. Hoxe, por exemplo, o do mate. Cando era neno, miña nai tiña unha barbería nun piso alquilado a un “indiano” que tiña unha tenda de comestibles no baixo. Cando ía comprar cousas, sempre estaba tomando mate; xa ves, sabía o do mate pero non sabía que tiña parentesco co acibro.
Por certo, que lle chamábamos “Faldra fora” porque sempre andaba coa camisa de fora dos pantalóns…

Comment by Rifenha

2007-02-27 @ 6.53 pm

Nos povos e vilas, cada quem tinha um mote.
O do mate, é tremendo. Meu curmão argentino disse-me que em Paraguai, os parlamentares levam seu mate ao parlamento e sucam durante as sessões.
Também ma Argentina, levam o mate no autobús, pola rua…

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