A Nogueira

Vegetação de infância
«Onde está a antiga nogueira cujas raízes
entravam pela água? Sei que os seus ramos se partiam
de cada vez que o ribeiro enchia; que as folhas
se espalhavam pelo tanque, antes de se afundarem,
formando um lodo em que os pés escorregavam;
que o barulho das rãs ecoava na sua copa, enquanto
a noite se agitava com o vento frio que trazia
o outono. Mas de nada me serve este conhecimento,
agora que nada me diz se a nogueira existe, ainda,
nessa margem onde me sentei, ouvindo as rãs
e o vento, sem que me apercebesse do trabalho do tempo
no fundo das raízes. Ou antes: o que ele me dá é
uma inquietação áspera como o sabor das nozes
que se colhiam dessa árvore. Atiro-as para o armazém
da memória onde as sombras se acumulam; e
entro nessa árvore, como se fosse uma casa,
ou como se as suas ramagens se abrissem
num bater de asas impotentes para o voo.»
Nuno Júdice, Teoria Geral do Sentimento .
As nogueiras ficam também muito unidas à minha infáncia.
Ainda lembro a grande nogueira de copa enorme e redonda, plantada por fóra do muro da eira, de onde colhiamos as noces com a casca ainda verde, para as comer assim, com pão de molete, quando mais nos sabiam e melhor se lhe desapegava a pele fininha que tinham por dentro.

As mãos ficavam-nos escuras, quase pretas, com aquela color das cascas verdes que não dava saido dos dedos em semanas.
Quando conseguiamos abrir umha sem romper a casca, logo faziamos barquinhos com elas e punhamo-los a navigar no pilão da horta.
Se reparades na parte interior das noces, no centro da semente, que é o que se come, tem a mesma forma do nosso cerebro. Seguramente será muito bom comer noces para manter o cerebro em forma.
Outra cousa curiosa das nogueiras, é que são muito individualistas. Não existem bosques de nogueiras, que eu saiba. Elas medram junto com outras árvores, ou soas, mas não são nada gregárias.
O nome científico da árvore é , Juglans regia, ademais da sua presência regia, como seu nome diz, e das noces tão sabrosas e nutritivas, é umha árvore rica em substáncias amargas e taninos-os que tinguiam de preto nossos dedos- e as suas folhas, tem um arrecendo suave e perfumado, ademais de ser muito boas para curar feridas, cortaduras, doenças da pele, carafunchos e chagas. Para esso há que as ferver e com a água da cozedura, enchoupar um algodão ou um trapinho limpo e aplicar diretamente na ferida, após de a deixar arrefriar até ficar morna.

A madeira de nogueira, é das mais fermosas, pola sua freva fina, seu colorido, a durez e o fermoso frisado das sua veias...

chúzame -