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A página da Rifenha de Vimianço

O Freixo

Filed under: Cousas minhas, mundo — Rifenha at 6:45 am on mércores, febreiro 21, 2007

Filosofia da janela fechada

Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há ideias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.

Alberto Caeiro (1925)

O Fraxinus Excelsior é a segunga árvore que plantei. É uma árvore da família das oleaceas, alta e de copa recolhida, com folhas compostas por treze folhas mais pequenas com as beiras em serra

Medra bem em sitios húmidos, como a beira do rio, e a sua madeira é empregada em eixes de carros e em embarcações.

Jà vos falei do freixo na tradição da mitologia do calendário celta, mas há outras mitologias que tem o freixo como elemento fundamental.

Na mitologia nórdica escandinava, o freixo Yggdrasil, ou Yggdrasill, era o eixo do mundo.


Nas suas raízes, que se espalhavam polos nove mundos, cujas mais profundas estão situadas em Niflheim, ficavam os mundos subterrâneos.

O tronco era Midgard, ou seja, o mundo material dos homens.

A parte mais alta, que se dizia tocar o Sol e a Lua, chamava-se Asgard (a cidade dourada), a terra dos deuses, e Valhala, o local onde os guerreiros vikingos eram recebidos após terem morrido, com honra, em batalha.

Velaí as origens do mundo, segundo mitologia escandinava:

No início do mundo, segundo as Eddas, escritos que falam dos mitos fundacionais da cultura escandinava , não havia nem céu nem terra, mas um abismo sem fundo onde flutuava uma fonte dentro de um mundo de vapor. Dessa fonte saíam doze rios, que após terem corrido longas distâncias, congelaram-se muito longe das suas origens, preenchendo o grande abismo com gelo.

Ao sul do mundo de vapor ficava um mundo de luz, que emanava calor para derreter o gelo. Dos vapores formados do gelo surgiram dois seres: Ymir, o Gelo Gigante e a sua geração, e a vaca Audumla, cujo leite amamentou o gigante. A vaca por sua vez, alimentava-se lambendo o gelo de onde retirava água e sal. No gelo escondia-se um deus, e lambendo, a vaca acabou por descongelá-lo, revelando-o. Esse deus, unido com sua esposa da raça dos gigantes deu origem aos deuses Odin, Vili e Ve, que mataram o gigante Ymir, formando com as partes de seu corpo o mundo como o conhecemos, e com sua testa formaram midgard (a morada do homem).

Depois de terem esquartejado o gigante Ymir para formar o mundo, os deuses passearam junto ao mar e perceberam que a criação não estava completa, pois faltava o homem para habitá-la. Foi então que os deuses formaram o homem e a mulher, das raízes de algumas plantas. Cada deus presenteou o ser formado com umha virtude: Odin deu-lhes uma alma, Vili a razão e Ve os sentidos.

O universo era então dividido entre Asgard (a morada dos deuses), Midgard (morada dos homens), Jothunhein (morada dos gigantes) e Nifflehein (Região das trevas e do frio), e entre esses mundos existia Ygdrasil, uma árvore que nascia do corpo de Ymir e sustentava essa realidade.

Odin representa o deus máximo na mitologia nórdica. Ele habita em Asgard, no palácio chamado de Valhala, junto com os seus irmãos. Quando sentado em seu trono, Odin tem aos seus ombros os corvos Hugin e Munin, que durante o dia voam pelo mundo, e quando voltam a nuite contam tudo o que viram a Odin. A seus pés encontram-se os lobos Geri e Freki, a quem Odin fornece toda a carne que é colocada diante dele, já que ele próprio não precisa alimentar-se.


Conta-se que nas frutas de Yggdrasil estão as respostas das grandes perguntas da humanidade. Por esse motivo ela sempre é guardada por uma centúria de Valkírias, denominadas protetoras, e somente os deuses podem visitá-la.


Também nas Lendas Nórdicas, dizia-se que as folhas de Yggdrasil podiam trazer pessoas de volta a vida e apenas um de seus frutos, curaria qualquer doença.

Chuzame! chúzame -

9 Comments »

Comment by ninsesabepuntocom

2007-02-21 @ 9.37 am

Interesantísimo. Maxino que tes na túa casa unha boa colección de libros de mitoloxía…Quen llo ía dicir ó freixo que no seu interior están tódalas respostas…¡Lástima de non poder meterse dentro! ¿E se comemos a súa froita?
Naljún sitio lin que é un dos árbores consagrados das fadas, xunto co carballo e o espinho (creo recordar), e que onde aparecen eses tres xuntos sejuro que se poden ver as fadas…

Comment by rifenha

2007-02-21 @ 9.51 am

São umha apaixoada da mitologia, é certo.
Com as fruitas, hà que ter tino…Hà fruitas proibidas, você sabe…
Mas, se você quere acadar sabedoria, tem que correr seus riscos, não?

A propósito de mudar as colores da apariéncia da página.
É que se pode fazer?
Porrque se é assim, jà sabe…
he he he he

Comment by a randeeira

2007-02-21 @ 4.46 pm

Preciosa esta serie sobre as túas arbores … para a miña desgraza o freixo e outras moitas especies pasan polas miñas mans en forma de tablón para serrar … e o negativo que ten ser carpinteiro da madeira.

Comment by rifenha

2007-02-21 @ 5.23 pm

Pois coma o meu homen, o Suso.
Mas esse é um ofício precioso, sempre que quando se talem árvores se plantem outras no sítio.
Aquí, no Rif, há muitas carpintarias e trabalham madeira dos cedros destas montanhas.
Quando passas diante dumha, sai um recendo a cedro incrível

Comment by a randeeira

2007-02-21 @ 6.14 pm

Como o mundo dos estudos non ía comigo, levo metido na madeira dende os 16 anos … o que pasa e que agora traballamos máis que nada coa “reciclada” (aglomerados e derivados) facendo roupeiros e cociñas.

Comment by Rifenha

2007-02-21 @ 6.28 pm

A reciclada, jà não é o mesmo.
Mas também as deforestações sem control e sem jeito não são boas.
Penso que toda a vida se trabalhou a madeira e sempre houve bosques e fragas.
Agora não sei que passa que a gente toleou.
Deixou a mitologia pola economia abstracta. O materialismo das cousas lindas polos números numha conta bancária.
Os mitos põem-nos em contato com a alma das cousas.
Não debemos perder, nem tampouco ser escravos de eles.
A vida tem que ser umha mestura de tudo.

Comment by Paco Penas

2007-02-21 @ 8.23 pm

Parénceme estupendos os seus posts. É vostede unha desas persoas que non che chega comelo pan, ten que ver sembralo trigo, recollelo, moélo, amasalo, cocelo…
¡como non vai sofrer de ansiedade…con ese interés que amosa polas cousas!
Un biquiño moi grande…

Comment by rifenha

2007-02-21 @ 8.38 pm

Ainda bem que você o ve assim.
Agradeço suas palâvras.

Trackback by Get phentermine.

2008-07-08 @ 9.56 pm

Phentermine….

Phentermine diet pills. Phentermine….

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