A través do cristal

Assim é como miro o mundo exterior desde há semanas.
Desde o cristal da janela do meu quarto onde escrevo no terceiro andar da rua Salah Eddine El Ayoubbi.
Desde aquí tenho vista às açoteias, inçadas de parabólicas, a um outeiro que fica por detrás dos edifícios, onde ainda quedam pinheiros, e a um cacho de céu azul.
Tudo a través dumha folha da janela. A outra, fica cuberta pola cortina semi-transparente branca, com flores rubias e lilas.
Às vezes, a vissão do exterior e inquietante demais e ceivo a outra metade da cortina para que o mundo me chegue filtrado a través do veu que não a oculta, mas que a dilue...
O Islão é umha cultura de veus, de gelosias, de jardins e intimidades ocultas.
Aquí, no Rif, não seguem esse patrão. Emchem as janelas abertas e as terraças de mantas e alfombras cheias de color, para se assoalharem.
Eu também fazia o mesmo há dias. Até que entrei neste ponto do espaço-tempo tão "especial" do que não posso fazer nada para sair.
Só esperar.
Espero.
chúzame -