
A castanea sativa, é umha árvore longeva, de folha caduca, que pode atingir mais de um milhar de anos de idade. Como reza a tradição popular acerca dos castanheiros:
"300 anos a crescer, 300 a viver e 300 a morrer".
As suas folhas têm entre 10 a 20 centímetros, são dentadas, mais claras na página inferior e translúcidas quando as transpassa a luz solar.
Os seus frutos são as conhecidas e apreciadas castanhas.

Aos 8, 10 anos de idade, o castanheiro já dá fruto, no entanto só depois dos 20 a frutificação passa a ser um fenómeno regular.
A sua produção mantém-se elevada mesmo quando já está em idade avançada (o que significa 600 anos de idade ou mais). Até aos 50 a 60 anos de idade, o seu crescimento é bastante rápido, retardando depois até ao fim da vida.
Pode atingir os 45 metros de altura e a sua copa pode chegar aos 30 a 40 metros de diâmetro.
A espécie que existe na Galiza é também a que predomina na Europa - a Castanea sativa-. Há conhecimentos e sinais de existir no território galaico há já muitos séculos, polo que é considerada como uma espécie indígena.
Contudo, há quem pensa que fui introduzida na península ibérica, provavelmente, durante a época dos romanos.
Desde o Paleolítico, o castinheiro acompanha aos homens e tem para nós umha importância crucial. As tribos pré-romanas chamavam-lhe a árvore do pão, já que o seu fruto, a castanha, era um alimento rico e um importante meio de subsistência para os exércitos em campanha. Pode-se mesmo afirmar que foi um dos mais importantes farináceos em muitas regiões, antes da chegada da pataca e do milho à Europa.
Era utilizada na alimentação dos Homens e dos animais, era um complemento importante na agricultura e, em muitos casos, o pão dos mais desfavorecidos.
O seu fruto, a castanha, formou juntamente com o trigo, orso e centeio, a base da alimentação na Galiza até ao século XVII. na Idade Média : «Os frutos, sobretudo as castanhas, encontravam-se num dia ou noutro na mesa do lavrador».

As castanhas menores e tocadas pelos bichos serviam de ração para porcos.
A partir da Idade Média, a introdução do pinheiro bravo (Pinus pinaster) foi um dos grandes responsáveis do recuo desta espécie, assim como do carvalho. Mais tarde, a introdução do milho e da pataca fizeram a castanha perder a importância que tinha na alimentação da população.
Apesar da a planta se encontrar em declínio, devido à concorrência de outras espécies florestais, à doença da tinta e ao abandono dos campos, ainda quedam soutos e castanhas pola Galiza interior.

Na Costa da Morte, apenas os que há plantados perto das casas. Os soutos desapareceram há muito tempo.
Porém, eu lembro chamar-lhe castanhas às patacas, e em Vimianço, ainda há gente que o faz : "Imos fritir umhas castanhinhas" ou "Imos pranar as castanhas".
Mas cada vez perde-se e fica mais longe na memória o tempo em que as castanhas eram o elemento principal na alimentação diária.
Na minha casa, quando eu era pequena, abriamos os ouriços e guardava-mos as castanhas que sobravam do inverno no cabaço. Iam ficando secas e ruchadas, e chamavamos-lhe "castanhas maias".
Logo estonavam-se cociam-se com fiuncho e comiam-se com leite .
Agora há essas modas francessas dos marron glacé e demais, e cada outono, os escaparates das pastelarias das cidades enchem-se de dózes de castanhas.
Mas eu, do que realmente gostria ver, é dum bom cozido de cacheira de porco e castanhas farinhentas e gorentosas arredor. Não sei se ainda se faz, mas na Costa da Morte, não, desde logo, desde que eu posso acordar .
As patacas também estão muito bem. E são das cousas mais ricas que a terra da.
Mais umhas castanhinhas farinhentas, tenras e blandinhas, tirando um chisco ao dóze, mas sem chegar a ser dózes totalmente, tem de ser um muito bom complemento para a carne de porco salgada e os chouriços.
Fica claro que o castinheiro é umha árvore nutrícia, porque apenas falei da sua fermosura, da sua exhuberante beleça aló polo mes de agosto, com sua copa redonda inçada de pavões que semelham raios dumha explosão de vida.

Ou quando aparecem os ouriços, entre as folhas, enchendo sua copa de estrelas.

Também sua madeira é fermosa, resistente e companheira.
Em camas de castinheiro nacemos a maioria da minha geração, nas mesinhas de nuite pousamos o livro, a candeia, os lentes...antes de nos acubilhar para dormir.
Em armários e uchas de castinheiro, guardavamos a roupa de campar, a dos domingos, e a melhorinha, a das festas sinaladas.
As mantas, os cobertores, para nos proteger do frio gélido, quando ainda não havia calefação e o alento saia coma umha nuvem da nossa boca, e o narís quedava gelado mentras o corpo ficava quente embaixo das mantas de là.
Os chineros, onde se guardava a louça dos dias de festa e os jogos de café de porcelana fina, que locia a travês dos cristais adornados das portas gemelgas do aparador.
Tanta memória e tanta vida vencelhada ao castinheiro...
Eu , antes de plantar este de agora, plantei um hà uns dez anos. Quando o plantei, cavando eu mesma o covo, pensei que aquela árvore ia ser o símbolo da minha vida futura.
Claro que não lhe disse a nemhúm, pois ssabia que tal vez não entenderiam minha ideia.
De alí a pouco, meu pai transladou-no de lugar . Mais tarde, cortoulhe umha das três pólas que arrincavam desde a base, disque para que medrassem melhor as outras duas.
Mais tarde, minha mãe disse que havia que o mudar de sítio, que lhe tapava a vista.
A árvore já ia grandinha, e tinha seu sistema radicular bem desenvolvido.
Mas o meu Nesinho e mais eu, fomos cavando arredor dele, tentando não lhe danar as raizes que fora formando .
Logo veu um homen cumha pá excavadora dessas pequeninhas e, com muito tino, arrincou-no de seu lugar e depositou-no de novo, num lugar excavado fóra da linha de visão da janela do vertedeiro.
O Nés e mais eu, colocamos no fundo da terra, um anel de ouro dentro dumha caixinha, para demonstrar meu amor pola árvore, e dar-lhe pulo.
Durante as próximas primaveras, o castinheiro andava frouxinho, num vou-não -vou que me fazia atristurar.
Mas agora lóce forte e vigoroso-esso sim, sem a terzeira guia- e atalhora, já lhe tenho perdoado a minha mãe a ao meu pai, que já não ta com nós, os avatares e as penúrias que lhe fisseram passar ao meu totem arvoreo.
Agora que o penso: O ouro escondido aló no fundo, as mudanças de lugar, a póla amputada, e o re-vivir mália as dificuldades ...Serão umha metáfora da minha vida?
Tal vez sem esso, o castinheiro não reflectisse em verdade quem sou. Nem como existo.
A ajuda do Nés também é tudo um símbolo da gente que me quere e me acompanha, ainda que, às vezes, me sinta sozinha...
Tal vez o castinheiro queria me monstrar minha verdade.

chuzame -