Para Nesinho.26

O último em chegar, que não no meu coração.
A minha aposta por completar a trindade, mália a minha cardiopatia e minhas crises .
O doutor chamou-me inconsciénte, por pôr em perigo minha vida.
Tivem que ficar uns dias internada, porque os pulmões encharcavão-se-me de líquido que o meu coração não bombeava.
Mas eu sentia que ti chamavas à minha porta, desde esse mundo ou essa nada na que ficavas, e pudo mais a tua voz que todos os conselhos dos doutores.
E vinheches. Chegaches à minha vida numha manhã fria do mes de janeiro, baixo o signo de Aquário . Num dia em que na maternidade do Modelo não havia camas e não te podia ter comigo, no quarto.
Subia e baixava a toda hora do quarto ao ninho e do ninho ao quarto e aguardava a hora de ir a casa para te poder ter no meu colo.
Eras tão pequeninho e lindo coma um axouxere.
Teu pai e mais eu, não tinhamos casa própria, eu travalhaba em Baio e ele na carpinteria de Ordonhes, teus irmãos tinhão quatro e três anos. Eu tinha vintecinco e teu pai vinteseis.
Mais tarde fomos a Barcelona, depois a Dodro, e logo comigo para O Rif, mercando prata na medina de Fès, e fabricando tuas primeiras alfaias no quarto da açoteia.
Lembras o dia que quixem dar umha calada da pipa do kiffi e depois só via o teu sorriso, a médias entre o diabo e o gato de Chessire?
Ou o dia em que iamos repasando a tua prova de conhecemento do meio e dizias que havia duas clases de seres: vivos e ineptos?
Agora és um homen. Voas só. Aplicas-te a aprender bem o teu ofício, o que sempre te chamou. Aprendes a viver e a ser um homen de bem.
Jà não me precisas para repasar as leições, mas os dous sabemos o que somos um para o outro. Algo que não pode se explicar com palávras, mas que reconheço perfetamente quando te vejo, quando te observo, quando posso te abraçar cum abraço de "mamãe ursa"

chúzame -