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A morte

Filed under: tarô — Rifenha at 11:26 pm on sábado, xaneiro 27, 2007

 

A morte é a carta número XIII do tarô. E o arcano da verdade descarnada e desprovista de ornamentos, que, com sua gadanha, corta as cabeças coroadas de vaidade e pompa. Tudas caim diante dela, e rolão polo chão, onde já começão a gromar as ervinhas novas.

A morte não é um arcano de morte física, ou detruição do ser. Só morre o que não paga a pena conservar. As coroas que tanto pesão, e os avios que tanto custa soster. Há momentos na vida em que há que soltar lastre e deixar que morrão aquelas cousas que nos tem enganados e pressos na ilusão das apariéncias, e não deixão agromar a verdadeira vida, as ervinhas ventureiras que, de ter espaço para medrarem, chegarão a florescer e a dar frutos e semente de vida nova.

A morte é o fim dum ciclo, para encetar outro. Um deixar atrás tudo o que nos coarta, nos arrastra com seu peso e nos impede sentir a vida tal como ela é, em cada momento.

É um dos arcanos mais positivos do tarô, e o mais transformativo,sempre que tenhamos o valor de nos desfazer do que não é verdadeiramente importante , e deixemos que morra em nós o que não é inmortal. Porque, ao fim, e ainda que o demoremos, tudo esso acabará morrendo e nós mesmos morreremos por dentro a medida que se esvaecem as ilusões sem substáncia tras das que corremos.

Chuzame! chúzame -

2 Comments »

Comment by ninsesabepuntocom

2007-01-28 @ 12.36 pm

Cando se fala da morte sempre me acordo do soneto de Quevedo:
Fue sueño Ayer, Mañana será tierra:
Poca antes nada, y poco después humo,
¡Y destino ambiciones! ¡y presumo,
apenas punto al cerco que me cierra!
Breve combate de importuna guerra,
en mi defensa soy peligro sumo:
y mientras con mis armas me consumo,
menos me hospeda el cuerpo,q ue me entierra.
ya no es Ayer; Mañana no ha llegado;
Hoy pasa, y es, y fue, con movimiento
que a la muerte me lleva despeñado
Azadas son la hora y el momento
que a jornal de mi pena y mi cuidado,
cavan en mi vivir mi monumento.

Recibín o teu correo coa narración familiar. Tes que completala aljún día. Dijo eu. ¿ou non?

Comment by Rifenha

2007-01-28 @ 12.46 pm

Sim. Quevedo também sabia muito da vida e da morte.te.
Pois o relato, não sei se vou poder rematar, porque agora vém , dentro da história, cousas muito tristes às que me custa trabalho enfrontar.
Tal vez quando me sint a mais forte por dentro.
Como dim na nossa terra, a ver para o verão….

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