A morte

A morte é a carta número XIII do tarô. E o arcano da verdade descarnada e desprovista de ornamentos, que, com sua gadanha, corta as cabeças coroadas de vaidade e pompa. Tudas caim diante dela, e rolão polo chão, onde já começão a gromar as ervinhas novas.
A morte não é um arcano de morte física, ou detruição do ser. Só morre o que não paga a pena conservar. As coroas que tanto pesão, e os avios que tanto custa soster. Há momentos na vida em que há que soltar lastre e deixar que morrão aquelas cousas que nos tem enganados e pressos na ilusão das apariéncias, e não deixão agromar a verdadeira vida, as ervinhas ventureiras que, de ter espaço para medrarem, chegarão a florescer e a dar frutos e semente de vida nova.
A morte é o fim dum ciclo, para encetar outro. Um deixar atrás tudo o que nos coarta, nos arrastra com seu peso e nos impede sentir a vida tal como ela é, em cada momento.
É um dos arcanos mais positivos do tarô, e o mais transformativo,sempre que tenhamos o valor de nos desfazer do que não é verdadeiramente importante , e deixemos que morra em nós o que não é inmortal. Porque, ao fim, e ainda que o demoremos, tudo esso acabará morrendo e nós mesmos morreremos por dentro a medida que se esvaecem as ilusões sem substáncia tras das que corremos.
chúzame -