Por fim, o inverno

Por fim choviu no Rif.
Onte à nuitinha, zoava o vento e chovia. A gente fica mais contenta, mas dim que ainda não é abondo.
Quando saes à rúa, o vento "poniente" deixa-che na cara esse latigaço de frio que põe o narís e as fazulas a ferver,mas nada comparado com as manhãs de geada e saraiba em Vimianço, quando , ao sair à rua, se não vas embolicado coma um fardo, ficas teso e estantio, com os músculos todos rígidos, sem movemento, coma se che dera umha paralise e estevesses no trance de te volver de pedra.
Por certo, falando de pedra. Estes dias circula por aquí um conto, em forma de ruxe-ruxe, bem engraçado:
Seica o outro dia chegou ao "supermarche" da cidade, um dos dous que hà com mercadorias de todo o mundo, principalmente de Espanha, um turco.
Pois o tal turco, seica tem poderes mentais vencelhados a algumha capacidade extrasensorial, porque disque se achegou à caixa registradora, olhou em fite para o dono-que por certo é um tacanho reconhecido por toda a cidade- e, sem mais, o homen começou a tirar os quartos da caixa e a lhos dar ao turco, que os ia guardando nos seus petos.
Quando se decatarom os empregados, começarom um espalhafato, veu a poilcia e seica levou ao turco para o encausar judicialmente.
Co galho do assunto do turco, puxerão-se em marcha ruxe-ruxes e histórias de homens que te mirão e te fão sentir obnuvilado até que lhe das todo o que levas e logo, quando acordas, ja desaparecerom.
Também de meigalhos, feitiços e curas milagreiras, que nos dez dias da Ashura seica são mais doadas de fazer, por ser tempo propício de enfeitiçamentos.
Assim que seica anda a cidade toda a fazer feitiços de amor, de casamento, de defensa contra turcos tira-quartos , dores de costas, males de olho e tudo o demais.

chúzame -