E falando de festas…
Pois hoje é o 22 de Janeiro, dia da festa do patrão da minha parróquia, São Vicenzo de Vimianço.
Ainda me lembro daquelas festas, quando os quatro irmãos do meu avô , e as suas famílias vinhão à festa à nossa casa.
Sempre adoitava estar o tempo frío, e minhas tias quentavão os pés, quando chegavão, diante da cozinha de ferro, com a porta do forno aberta.
Meu avô tinha um irmão e duas irmãs que seguião todos na parróquia de Baio, agás ele, que namorou em Vimianço e casou para aló.
A família era a da Casa do Vao, em Fornelos. Umha fermosa casa de pedra soa, à beira do rio, que agora fica abandonada por problemas de partilhas entre os nove filhos e filhas de meu tio Ramom do Vao, que foi o que casou para a casa e viviu em ela até o fim.
Minha tia Carmela casou para a casa de Fuentes, de Baio, e a mais nova, Maria, para a casa dos de Romar, no empalme de Fornelos.
Agora ja todos ficão mortos, mas a memória daquelas festas, com meu tio e meu avô em cada em seu testeiro da mesa , e os demais fazendo de telegrafistas, porque meu tio não ouvia bem e sempre levavão os dous o peso da conversa, vivirá mentras eu viva.
Sempre falavão das mesmas cousas: Do seu trabalho de canteiros, na quadrilha do pai, das lembranças da infáncia, da retranca de meu tio, um velho correudo, desconfiado das modernidades, cum grande bigode e um cigarro sempre prendido pendurado na boca, retranqueiro e rosmom.
Meu avô, físicamente, era a outra face da moeda: Alto e bem parecido, cuidava muito a sua saude e gostava das modernidades que fazião a vida mais cómoda. Porém, e a pesar de ser uito anos mais novo, ele morreu antes. O seu irmão, sobreviviu-lhe três messes, incapaz de superar a dor da sua perda. Erão totalmente contra-postos, mas sempre ficarão unidos por laços muito fortes, impossiveis de explicar.
Pois assim erão as festas. Depois de jantar o caldo, o cozido, o arrós e a carne assada, regada cumha ola de vinho, e de tomar a tarta de amendoa e o queixo com dóce de marmelo com o vinho tostado, o curmão Jesus de Fuentes, recitava "O catecismo do labrego" , com muita grácia, poemas de Labarta Posse, o poeta de Baio, e de Pondal, o da Pontecesso.
Assim dava-nos a nuite, e entáo cada quem ia ao Transportes Finisterre para volver à casa, agás meu tio, que sempre ia e vinha na besta.

chúzame -