
O tolo é a carta número cero do tarô. Não tem número porque, na história da vida que são os arcanos, o tolo é a inocência do que ainda não se conhece, ou do que jà se deixou atrás.
O tolo caminha tranquilo, olhando à frente, com o fol das suas culpas e os seus medos às costas, sem que elas estorbem seu caminhar.
O tolo vai quase nú. Leva suas "vergonhas " ao ar, porque não acredita em que tenha por que as agochar . Um cão tenta trabar em elas, mas ele não faz caso. Segue seu caminho, sempre adiante, sem ter em conta a imagem que dele tem os que o vem passar. Tem seguridade em seu caminho, e não abandona sua via por nada nem por ninguém.
Seguramente o tolo não encarna o éxito social, nem a aprovação dos demais, nem o rabanho.
Mas sim a soidade do que é fiel à voz do seu interior . E também sua despreocupação.
Não pertence à família dos bem-pensantes, tampouco à dos politicamente correctos.
È o irmão despreocupado dos contos antigos. Aquele que ia embora, na procura da princesa, sem mais avios ca um corvo morto, um soco velho, e umha mancheia de areia.
Seus irmãos rião dele, e nem o consideravão um rival.
O irmão parvo . O que para a conversar com a velhinha e reparte com ela sua merenda. O que ajuda ao velhinho a cruçar o rio. Porque não sente vergonha de se juntar com velhos e velhas, com gente do comûm que vai encontrando polo caminho. Porque ele é su igual. Nem de perder tempo com eles, porque ele é inocente, e sabe que não hà Ítacas que perseguir. Ítaca é o caminho. Só os inocentes tem essa certeza . porque o conhecimento não é ciência. Nem erudição. Mas sabedoria.
Logo, quando os lestrigões e os cíclopes tentão o atacar, ele deixa cair sobre eles o avental que a velhinha lhe agasalhou, e eles reconhecem-o, e não lhe faz mal. Antes bem, ajudam a que chegue ao castelo da princessa encantada são e salvo. Porque sabem que não é um calquera, mas um sabio. Com a sabedoria da liverdade de não depender das opiniões dos demais para procurar o proprio caminho.
chúzame -