Manhã de sol e de souk
A manhã de hoje é de sol, aquí no Rif. Desde a minha janela posso ver as fachadas dos edifícios-quatro alturas é o máximo permitido- que ficão orientadas cara o Leste, iluminadas polo sol que sobe, e as açoteias inçadas de parabólicas e demais antenas às que os rifenhos e, em geral, os marroquinos, são tão afeiçoados.
De vez em quando, umha rula passa, solitária, diante do quadrado da janela.
Em baixo, na rua, escutão-se ruidos de carros, camiões e burros que vão para o Souk dos domingos, fóra da cidade.
Também chegão fragmentos de conversas que, ainda que em idioma diferente, tem o mesmo sotaque das dos camarinhães, quando se encontrão e se saudão, pola rua.
Muitas veces, o Suso e mais eu, jogamos a identificar vozes. Como se semelha o sotaque do árabe marroquino ao do galego da Costa da Morte... Mesmo as gheadas guturais, a linha sonora das frases, o tom bravo, que sempre semelha cabreado sem o estar...
Quando soa a rádio, pola manhã, para espertar, sempre escuitamos a voz de algûm vizinho falando árabe.
chúzame -