Voy a perder la cabeza por tu amor
Outra volta escutando a Calamaro. Mália a publicidade do combustível e demais.
É curioso como hà momentos na vida nos que umha perde a cabeça por outra pessoa.
E como, de tanto pensar no outro, umha mesmo perde o centro do seu próprio círculo e põe o centro na outra pessoa.
Assim, des-centrada, passa cada instante do dia e da nuite, cada alento, cada latejo, fóra de si, tratando de habitar o corpo , a mente e a alma dumha pessoa diferente, perseguindo a Ítaca dum coração alheio.
É assim que a vida se volve um sem-viver, um percorrer as ruas na procura dum encontro, umha vissão, umha presença...
Logo, quando umha volve à casa, as mãos já não lhe pertencem. São pombas que quer voar ao seu cabelo. Os olhos não querem mirar o mundo próprio, prendidos no engado do outro mundo desconhecido, estranho, mas tão conhescido e tão próximo por o ter imaginado e amado até o infinito.
Às vezes cruçamos a ponte, tentando recuperar nosso coração perdido no contacto , nas carícias, no incéndio que nos queima até a dissolução e o vazio .
Outras, não ousamos cruçar as pontes.
E então seguimos a sofrer, perdidos no temporal que nos leva e nos traz, na chuva que nos asulaga, tremendo de frio e de tristeça, sós, e espidos, no meio das ruas onde tudo é hostil e alheio. A gente passa,á nossa beira, sem nos ver. Sem se decatar da infinita tristeça que nos asulaga. Da chuva azeda que nos corroe e nos dissolve, queimando-nos a pele em carne viva.
Mas, quando tudo passa, e de vagarinho, imos recuperando esse ponto de luz, nosso centro, então comprendemos. Percevemos que Ítaca era o caminho. Que o que em realidade procurava-mos, era nosso proprio coração , perdido entre a monotonia uniforme e gris de cada dia. Que toda essa luz que procurava-mos no outro, era a mesma que já ficava desde sempre, em nós. Que o outro e nós, somos o mesmo. Que não há outro, nem ilhas a onde há que chegar. Que a única ilha a onde temos que arribar fica dentro de nós mesmos. Que, acadada a nossa Ítaca, temos acadado todo o que o mundo tem. Que o amor não é dumha pessoa, nem dum contacto, nem dum sonho. O amor é nosso. Somos nós que amamos, que vivimos, que somos e existimos, coma mundos que podem contrair-se ou expandir-se coma galaxias, coma estrelas ou buratos negros.
Quando percevemos estas cousas, a vida jà nunca volve a ser a mesma.

chúzame -