Feliz aninovo. Aïd Mubarak

Hoje coincidem duas festas importantes para os meus vizinhos. Os de aquí, e os de alá.
O ano velho, com suas uvas, o cava, os vinhos por Vimianço antes de cear...
E a outra festa dos meus vizinhos rifenhos, que hoje celebram seu Aïd el Kbir, ou Pascua Grande, a festa mais importante do mundo muçulmano.
Hoje, cada família muçulmana sacrifica um anho.
Depois da oraçom da manhà, as terraças enchem-se de anhos, as famílias e os vizinhos visitam-se, comem juntos, bebem chà com pastelinhos de améndoas e pola tarde, saem ao passeio com sua roupa estreada de novo.
Os paralelismos entre as duas festas som muito significativos:
Nesta banda, hà quem vai cear angulas a seiscentos euros o quilo, cava de trinta euros a garrafa, camaroes, percebes e todo o demais.
Também os hà que imos ter umha ceia mais normalinha.
Antes de vir, falando com os meninhos da áula, havia quem ia sacrificar tres, quatro, e até oito anhos, um por cada parelha. Outros, iam se juntar com os avós e mercavam um anho para a família.
Em ambas duas bandas hà diferença entre a fartura e o derroche, entre a festa e o consumo desaforado. Normalmente vai asociado à capacidade económica de cada quem, salvo raras e honrosas excepçoes. Também hà quem é prudente e quem se empenha ainda que quede aforcado polas débedas.
Aforcado ficou Sadam Hussein, precisamente o dia da meirande festa muçulmana. E eu pergunto-me se pagou a pena o triste e hipócrita espectáculo. Que se queria conseguir com matar a um homem ao estilo do mais estúpido linchamento?
Nom entro a julgar a Sadam, porque nom tenho dados nem inmformaçom fiavel para o fazer. Mas nom me senti nada bem quando vi por tv ao homem com a corda ao pescoço e logo no chao, morto, envolveito na saba.
Hoje remata um ano e começa outro. Mas só som números num almanaque. Realmente, a humanidade semelha nom rematar nem começar nunca umha nova etapa: A de sermos de verdade humanos. Mentras tanto, tanto tem que corram os dias no calendário. A falta de empatia e humanidade seguem a se repetir até o infinito na nossa pequena e global aldeia. Seguimos a rifar, a luitar, a matar-nos uns aos outros coma estúpidos e anti-naturais depredadores.
A pesar de todo, também hà gente evoluida que prefire a vida antes do que a morte.
A todos eles, desejo-lhes um justo, pacífico e feliz tempo futuro. A ver se algúm dia somos mais e podemos inaugurar um tempo novo, sem explotaçom, medo dos demais, e linchamentos inútiles.
Apertas.
chuzame -












Hoje fico cà, no quarto do computador, escuitando música cos auriculares. Música da que vou baixando, quando me da por fedelhar no lime wire, para o itunes.