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A página da Rifenha de Vimianço

Dia de férias

Filed under: Africa — Rifenha at 12:24 pm on luns, novembro 6, 2006

Hoje é dia de férias em Marrocos. Não vou à escola. Os meninhos do colégio de enfrente, tem festa e recebem a visita duns palhasos que põem a música a toda voz.

O vizinho das barbas ja rematou de tirar para fóra as cousas. Hoje tem tantas que ocupa a sua beirarrua e mais a do portal do lado.E mesmo tem um quencedor pendurado na parede.

Segue a névoa aló enriba, mas algo menos mesta. As mesquitas chaman agora mesmo a pregar e sua chamada ecoa em toda a cidade.Dous garotos vão embora do talher cum quencedor amanhado. Da cozinha sae um recendo a guiso. Hayat anda preparando cus-cûs e tem dispostas as cousas acima do mesado coma as mercadorias do vizinho na beirarrua.As cebolas, os alhos, o cabacinho,a cabaça, as cenouras,o repolo,o nabo, a carne,o azeite,as espécies:a cúrcuma, os cominhos,o genjebre e a pementa negra,a sêmola, as hervas:perexil, coentros... Desde a cocinha recende a outono, a frutos da terra,a fonte de cus-cûs compartida, a islão...

Chuzame! chúzame -

Névoa no Rif

Filed under: Africa — Rifenha at 5:51 pm on domingo, novembro 5, 2006

Hoje o dia transcorreu pesado e nevoento aquí, no Rif. Nuvens de chumbo coroavam os curutos, arredor da cidade, e o dia foi passando, de vagar, diante do ecrã do aparelho mágico. Fora também há menos atividade. Os meus vizinhos são frientos demais para sairem passeiar com tempo gris. Só o religiosso de barbas-Aquí aos que levam barba longa dim-lhe religiossos, coma se o sentimento religiosso for proporcional à longitude das barbas - Só ele anda a remexer nos seus trebelhos que cada dia tira para fóra, e estende pola beirarrúa, e logo, à noite, volve a guardar, ajudado polos seus dous raparigos. Na moreia de cousas apilam-se máquinas de lavar, quencedores de água, batedoras, cozinhas de gás...O talher é tão pequeno que, se deixa as cousas dentro, não cabe ele. De aí o trafego de cada dia.

È um bom vizinho, e um bom profesinal dos arranjos e a reciclagem. Agora mesmo acaba de fechar a persiana metálica até amanhã, que volverá a re-começar sua jeira.

Ja quase não queda luz. As palmeiras de diante da mesquita abaneam suas folhas agitadas polo vento. É o magreb,a hora da derradeira pregária do dia, antes de a noite cair.

Lembro aquela canção de Manu Chao: "Infinita tristeza..."

Também as palavras de Mohamed Chukri:

Fue en los años cuarenta. Mi territorio de origen, el Rif, padeció una terrible sequía. Los míos, como todos los demás, fueron arrojados a los caminos por el hambre y la escasez. Tomaron los caminos del exilio unos hacia Orán, otros hacia la zona norte de Marruecos y especialmente a Tánger. Desde Beni Chiker, aldea próxima a la ciudad de Melilla, transportamos un solo y único bien: el rifeño, nuestra lengua.

"Tenía siete años cuando encallé en Tánger, el Paraíso de la época. Y, cuando quería jugar con otros niños del arrabal donde mis padres habían plantado su barraca, encontré la persecución: - “Vete de aquí, hijo del hambre”. “¡Largo! ¡Fuera, rifeño!”

¿Será natural la crueldad en los niños? En cualquier caso, sabe ser espectacular.

En este mismo arrabal vivían gitanos y andaluces, tan marginados como nosotros, los rifeños, pero gozando de un estatus menos precario que el nuestro. Hacía mucho tiempo que estaban instalados allí. Ganaban su vida algunas veces haciendo trabajos manuales, otras veces robando. Sus hijos me aceptaron y trataron como uno de ellos. Unía con frecuencia mi fuerza a la suya para atacar a los otros niños del suburbio, los más violentos, los marroquíes. Estos niños gitanos y andaluces me enseñaron no solamente a defenderme, los niños hablan sobre todo con el lenguaje del cuerpo, sino también a pronunciar las primeras palabras en español. Es así como aprendí el español antes que el dialectal marroquí. La lengua del exilio."

Chuzame! chúzame -

A viagem

Filed under: Africa — Rifenha at 1:42 am on domingo, novembro 5, 2006

Estes dias tivemos visita da família e fomos todos de viagem cara o sur. Visitamos Fés, Volubilis, Marrakech, Merzouga e Khamlia, a pequena aldeinha dos gnawas.

Nunca me canso de percorrer Marrocos. A sua beleça ten-me enfeitiçada. Também disfruto amosando-a quando os demais a percebem na mesma medida.

Fico muito agradecida com a vida por me ter trazido até aquí. E por me ter regalado a capacidade de o disfrutar.

Neste tempo outoniço de cabaças e luz dourada, é um prazer viver rodeada de beleça e empatia. Agradeço a quem corresponda. Não sei lhe chamar, mas sinto dentro de mim sua presença.

Chuzame! chúzame -
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