oescunchador II

Agora que vem o tempo outoniço, ainda que aquí, no Rif, há dias que são de primavera. Pois agora que avança o outono, digo, com menos horas de luz e mais recolhemento, cada vez lhe vou colhendo mais afeição ao trebelho este da comunicação em linha.

Assim que, onte, tarde de domingo, depois de subir de jantar no bar do porto, tentei entrar aquí, na blogaliza, mas semelha que andavão amanhando algo e ficava fechado o local.

Assim que fum embora, cos trebelhos a outro lado, e dou-me por abrir um novo blogue no blogspot.

Chama-se também oescunchador, mas todo junto, e, em troques de blogaliza, o seu apelido de familia é blogspot.

Como queira que ja sou algo maior e não me criei com estes inventos, assim vou aprendendo a me desnvolver e a fedelhar a conta da prática, que é como se aprende melhor.

Esse blogue vai tratar únicamente de músicas, leituras, cousas curiosas, todo aquelo que se me ocorra que vos pode interesar.

Tendes a ligação aquí http://oescunchador.blogspot.com/ , por se queredes pasar por alí. Ainda me custa um bocadinho mover-me no sitio, afeita a este, tão clarinho, mas… Todo se andará.

Por suposto não vou descuidar este outro sítio, do que me sinto muito orgulhosa, com razão ou sem ela. Mas a diversificação é beneficiosa, não?

Ou esso penso eu.

Recuperando de Arredemo. O reino Mandinga

“Sundiata Keita (ou Sundjata Keita, ou ainda Soundiata Keita) era o Imperador do Mali, nascido em 1190 em Niani (Reino Mandinga, atual Guiné) e faleceu em 1255. Filho de Naré Maghann Konaté (também conhecido Maghan Kon Fatta ou Maghan Keita) e Sogolon Djata (a mulher búfalo).

O épico de Sundjata é contado pelos griots, através da tradição oral.”

Este pequeno texto é o que se pode ler na wikipédia sobre o reino mandinga .

Também:

“Los Mandinga, Mandinka Mande Jula dependiendo del país en el que viven son un grupo étnico de África Occidental. Mandinga es también el nombre de su lengua. En el siglo XIII eran gobernados por Sundiata. Durante el mismo siglo se extendieron por un gran área en el actual Mali constituyendo un importante reino.

En la actualidad existen cerca de tres millones de mandingas residiendo en diferentes países del Oeste de África: Burkina Faso, Costa de Marfil, Gambia, Guinea-Bissau, Liberia, Mali, Senegal, y Sierra Leona.

Durante el periodo de la colonización de América muchos de ellos fueron enviados al nuevo continente como esclavos. En la tradición campesina y gauchesca rioplatense, al diablo se le denomina “Mandinga”, y se representa de color y vestiduras totalmente negros. Vulgarmente se le dice mandinga a quien posee el miembro grande.

En Estados Unidos y Europa uno de los mandingas más conocidos es posiblemente el personaje Kunta Kinte de la serie de TV y novela Raíces, escrita por Alex Haley, descendiente del propio Kunta Kinte. Martin R. Delany, un abolicionista radical del siglo XIX también era de descendencia mandinga”.

Velai como a “cultura” europeia criou fronteiras e escraviçou seres humanos mesmo negando-lhe a condição de humanidade.

Se vocês escutão a kora mandinga de toumani Diabate, ou a voz prodigiosa do príncipe Salif, descendente directo do imperador Soundiata Keita, que no século XIII aboliu a escravitude no seu império, perceberão um bocadinho melhor a parvoíce da vaidade do etno-centrismo baseado na maior poténcia económica e capacidade tecnológica . Se escutão as palavras de Ali Farka, e suas composições musicais, mágicas, perceberão que a “cultura” não reside exclusivamente nas tertúlias e cenáculos do nosso pequeno mundo.

Que fóra, também hà muita vida.

[gv data=”y5Nem-PNHLY” width=”425″ height=”350″][/gv]

recuperando arredemo. Alí Farka Touré

Ao contrário que Salif Keita e Toumani Diabaté, Ali “Farka” Touré, não gostou sair por muito tempo da sua vila, Niafunké.

Entrevista a Ali Farka Touré publicada em “Crónicas da Terra”

Crónicas da Terra

Músicas sem Fronteiras


julho 20, 2005

Ali “Farka” Touré – uma lição de vida em 180 minutos, na próxima sexta-feira em Lisboa


Não foi fácil falar com Ali Farka Touré. Não é todos os dias que este senhor de 60 anos tem acesso a um telefone, no Mali; e nem sempre é fácil compreender o seu francês, falado com longas pausas (próprias de quem se levanta com o nascer do sol e se deita com o crepúsculo) e frases nem sempre concretizadas. Afinal Ali Farka Toure, além de excelente músico, é um verdadeiro homem do campo.

O Mali é um país de músicos – Você, Oumou Sangare, Toumani Diabaté, Salif Keita. Será que isso tem a ver com o facto de ao longo de séculos vigorar a cultura musical griot (N.R. músicos que tocavam para os imperadores do Império Mandinga de origem muçulmana que se estendeu pela África Ocidental a partir do Sec XIII)?

O Mali não é um país de músicos, mas há músicos no Mali. É um país histórico onde existem etnias distintas. Eu sou sonrai, estou longe de ser griot e de ser escravo. Aqui não existem fronteiras. Cada pessoa traça o seu destino ao fazer música. Para mim a música é uma filosofia de educação e de amor.

É verdade que, à semelhança de Salif Keita, os seus pais opuseram-se ao facto de tocar, pelo facto de fazer parte de uma classe nobre?

Os meus pais eram realmente contra o facto de eu ser músico. Durante a minha carreira sempre tive receio de pegar na guitarra enquanto me encontrava ao pé da minha mãe. É que antes de ser músico já era agricultor e pilotava barcos. Profissões mais úteis à nossa etnia.

Apesar de ter tido uma carreira brilhante como músico fora do Mali, nunca deixou de ser agricultor. E parece que foi o dinheiro que ganhou com a música que lhe permitiu comprar máquinas modernas para melhor fazer a lavoura. Verdade?

Sim. Toda a vida estive ligado à agricultura e todo o dinheiro que ganho com a música tenho investido na agricultura. Não devemos pôr açúcar no mel (N.R.: metáfora que significa não devemos aplicar o dinheiro que ganhamos com a música, na música) porque isso daria uma mistura demasiado doce. A música permitiu a evolução do meus métodos de trabalho agrícolas. Até porque não podemos fazer música se não tivermos a barriga cheia, não é?

Parece-me que continua a preferir a agricultura à música.

Sim, porque a agricultura é uma cadeia de vida. Os animais comem, os homens comem. Sustenta um ciclo maior que a música. Esta é boa apenas para quem toca e escuta.

Vivendo numa vila (Niafunké) situada à entrada do Sara, em que os terrenos são muito arenosos, gostaria de saber o que é que planta.

Vivo perto do deserto, mas também perto do rio o que me permite ter terrenos férteis. Aqui posso plantar tudo o que preciso: trigo, milho, feijões, batatas, mangas, goiabas, tangerinas, laranjas, papaias… e, claro, também pesco.

Não tem dado muitos concertos fora do seu país e por diversas vezes anunciou retirar-se da vida artística. Isso tem a ver mais uma vez com a agricultura, ou com o cansaço das digressões?

Não digo que não dê concertos, mas preciso em primeiro lugar terminar todas as culturas, todos os trabalhos agrícolas. Não posso permitir-me a fazer aquilo que fazia há 10 anos atrás, altura em que comecei a tocar pelo mundo inteiro e a estar muito tempo fora de casa. Tenho 11 filhos, sou avô de 8 crianças, tenho muitas bocas para alimentar. Ainda viajo, mas só durante uma semana. O máximo é um mês. Depois volto.

Nunca sentiu vontade de viver na Europa, à semelhança de muitos músicos africanos?

(um grande assobio, como se isso fosse totalmente impossível). Nunca. Não gosto do estrangeiro, gosto de fazer o meu trabalho e de regressar à minha casa no fim do dia. Adoro o espaço, a terra, nunca poderia viver num apartamento. Tenho de estar perto da natureza.

Quando colaborou com o Ry Cooder em “Talking Timbuktu” sentiu que tivesse aprendido alguma coisa?

Não. Nada.

E o que é que você lhe ensinou?

Ensinei-lhe algumas coisas, quanto mais não seja o facto de ter descoberto a essência da música africana. Ele vem ao Mali em breve, no ano 2000, e ficará cá durante duas semanas.

Pensa que o Taj Mahal e o Ry Cooder têm ainda muito a aprender consigo, sobretudo na forma de tocar guitarra?

Entre o Ry Cooder e o Taj Mahal existem muitas diferenças. Durante os anos em que viajei pela Europa e Ásia, o Ry Cooder tornou-se num génio da música ocidental. É um dos melhores para mim, porque faz aquilo que deve ser feito. É a sua vida. O Taj Mahal é um professor, não meu, mas dos jovens que ensina. Tenho muito a aprender mas não há-de ser com ele. Nós somos de etnias diferentes, temos culturas diferentes, almas diferentes. Mas ele é muito aberto e generoso e isso agrada-me. (N.R: apesar de Taj Mahal ter nascido nos Estados Unidos, Ali Farka Touré considera-o um africano a viver na América, devido ao sistema de crenças em que acredita, cujos antepassados traçam as origens do ser humano).

A sua música é influenciada por experiências espirituais. Segundo consta, o Njarka (pequeno violino local de uma corda) é um instrumento bastante perigoso, porque quando mal usado pode evocar os maus espíritos. É capaz de explicar?

O Njarka é o instrumento mais perigoso de África e do Mundo. Quem o toca nunca poderá aspirar a ter grande longevidade. É um bom instrumento e ao mesmo tempo um mau instrumento, porque quem não tem cuidado pode ficar louco. Conheço muitas pessoas que enlouqueceram. A primeira vez que peguei no Njarka tinha 12 anos, nessa altura ao brincar com o instrumento quase morri. O Njarka deixou-me imobilizado e fui picado por uma cobra.

Pensa que a música é uma forma de chegar ao mundo espiritual?

Não acho. Tenho a certeza. É como entrarmos dentro de água, num mundo real que não é totalmente visível aos nossos olhos.

Alí “Farka” – O Burro- debia este alcume a ser forte e constante em seu trabalho.

Finou este ano, mas deixou-nos para sempre os sões da sua kora mágica.

Velaí um dos griots mais conhescidos: Lankandia Cissoko:

[gv data=”JNl8kIwj1_k” width=”425″ height=”350″][/gv]

Recuperando arredemo. Toumani Diabate

E agora que as equipas dos africanos da África volver à casa- ficam as dos africanos da França, do Brasil…-vou falar do último desta série de músicos mandingas, ou malinkés, dos que gosto tanto.
Este não é um labrego, nem um príncipe, mas o representante dumha saga de griots malinenses que tangem a kora até lhe arrincar os seus sões mais delicados e intensos…A sua mestria remonta-se a setenta gerações, segundo a lenda-história da família Diabaté.
Diz a lenda que aló polo século XIII um principal africano que ia numha expedição militar, entrou numha cova na procura dumha doncela e, no seu lugar, atopou umha kora. Um griot , da familia Diabaté, que vai no seu grupo , é o que a toca por primeira vez.
Despois de setenta gerações, chegou Toumani, o griot de kora do século XXI.
Herdeiro de oitocentos anos de tradição oral, ele consegue fazer da da sua antiga música um símbolo de modernidade, junto coa Symmetric Orchestra,que inclui músicos de países do antigo Império Mandinga (Mali, Burkina, Guiné, Senegal, etc.), reconstruindo culturalmente o que a colonização destruiu.
Ele começou a tocar aos cinco anos, co seu pai, Sadiki Diabaté, considerado em toda a África Occidental coma o rei da kora. Aos trece anos, dou seu primeiro concerto, e é a través de França e Inglaterra, aló polos anos oitenta, onde começa a sua carreira internacional.
Ele tocou com Taj Mahal, Ballaké Sissoko,e, no ano 2005, editou um disco com Ali Farka Touré: In the heart of the moon .
Se escuitar, decerto escutaredes a música do coração da lúa. Da lua de África, que fui a que nos viu a tudos por primeira vez, tentando nos erguer para caminhar e correr mundo…

Ali Farka e Toumani Diabaté

Recuperando de Arredemo. Salif Keita

Estes dias de futebol, anda Alemanha cheia de africanos. Homens-Torre fortes e veloces coma lóstregos, que dão tudo de sim para lhe levar um bocado de ledícia aos seus siareiros,sempre ausentes na periféria do nosso redondo mundo…
Pois esso. Que gosto muito de os ver jogar contra as equipas sosas da Europa, ja tão conhecidas a força de ver aos jogadores -os Beckham, os Raules e os Ronaldos-até no caldo. Também gosto da minha cara Argentina, por suposto, e de algúm dos do Brasil…
Seguramente entre os jogadores das modestas selecções africanas, haverá algúm jogador de etnia mandinga, coma o músico que hoje quero apresentar-vos.
Ele sim é mandinga, dumha das famílias mais aristocráticas da sua etnia. Algo assim coma um príncipe.
Mas, na sua vida, há duas grandes contradicções…A primeira, o seu proprio nascemento. De pais mais negros que o carvão, como é natural,saiu alvino. Branco coma o leite. O seu pai sentiu-se maldicido pola peor mã sorte, segundo a tradição, e não comprendia por que a ele lhe tinha que pasar algo assim.
O raparigo fui medrando entre as milheiras de seu pai, onde caçava cotovias e babuinos, mentras as suas cordas vogais se musculavão até soar coma um orgão barroco numha catedral…
Mais tarde, quer adicar-se à música. Numha família da aristocrácia mandinga, os músicos tangem a kora para eles escuitar. Não anda um membro da família a tocar por aí , coma um calquera-coma um titiriteiro que diria minha avoa…-
Disgusto tremendo e fugida a Bamako onde se mete nas orquestras que tocavão polos locais de moda e incorpora guitarra eléctrica e ritmos de todo o mundo…
Assim até o 1979, ano no que emigra ao oeste, e vai parar a Abidjan. De alí a Washington, e mais tarde França. 35 anos adicado à música.
Logo, um dia, coma case todos que podem, decide volver…Outravolta a Bamako. Contacta cos mestres “griots” mais expertos, junta-se co tangedor de kora Toumani Diabaté e de gnoni, Mama Sissoko, construe um estudo de gravação na sua casa e tira o seu travalho mais completo, que leva o nome do seu avô: M’Bemba.
A sua história, mesmo semelha umha dessas histórias iniciáticas, nas que o protagonista, vai embora, percorrer os caminhos, e logo volve à sua aldeia, mais savio, para contar as marabilhas que descobre, arredor do lume da lareira tribal…
Essas histórias, dos herois que volvem, depois de tantas aventuras, coma o Ulisses da Odisseia, são umha metáfora da própia vida. Há que se independiçar dos critérios familiares, culturais e da tradição, para volver a os atopar, quando ja não nos fagão sentir a sua pressão, mas a sua alegria…

[gv data=”QXiUdtPgtHw” width=”425″ height=”350″][/gv]

A Inocência

A inocência é um estado de ignorância que as pessoas conservam mentras não se encontram de frente com qualquer fenómeno e o conhecem. A partir desse intre, já nunca mais volvem a ignorar essa realidade que, por conhecida, é mesmo reconhecida, por a ter visto já por primeira vez.

É, pois, a primeira vez que percebemos as cousas, quando em verdade a inocência faz que o nosso asombro e a nossa surpresa sejam auténticos e reais como a mesma vida, e quando marcam umha impronta impossível de borrar pela intensidade com que as vivimos.

Hà inocências que perdemos muito aginha, quando começamos a tomar conciência do que temos arredor. Essas inocências perdidas deixam nostalgias, saudade da emoção perdida da descoberta. Da laparada de lume que se acende umha soa vez, quando por primeira vez sentimos dentro de nós o éxtase e a vertigem de ter descoberto algo de nós mesmos aí fóra, e a alma estoupa de goço por se ter encontrado na água do rio, que corre, entre as árvores da ribeira, ou as folerpas que caem, ou o ninho dum pássaro, com seus ovinhos açuis, ou o recendo salgado e a inmensidade do mar. Mais tarde, no primeiro calafrio dumha olhada de desejo, na conciência da irracionalidade inmensa do proprio coração.

Mas também há inocências que não perdemos nunca. E outras, que nos faz perder a mesma vida, no seu decorrer, quando temos que aceitar o jogo doloroso dos contrários que conformão a realidade.

E essas não deixão nostalgias. Mas umhas pingas azedas de tristeça e decepção.

Na Galiza temos material abundante de ambas duas realidades provocadas pola perda da inocência.

A saudade da terra, tão fermosa que mesmo semelha umha ilusão, e a dor da realidade das pessoas que governam seu destino.

Cada dia descobrimos um novo capítulo da cobiça, a pouca inteligéncia e a parvoíce dos nossos políticos e dos que administrão nosso pais. Ja imos perdendo até acapacidade de nos surpreender com cada novo des-propósito.

Mas ainda há esperança. A cidadania, que não tem cobiças especulativas, nem de vaidade, nem de prebendas e pequenos favores que prendem a alma e a mente nas aranheiras da covardia.

                                                                     

Arredemo

Arredemo era umha página que tava muito bem. Havia aportações interesantes e opiniões muito imparciais sobre os temas do que passa na Galiza.

Hà tempo que arredemo não fica operativo. E o pior é que, amais de não contar cum lugar onde poder ver o que hà dum jeito independente, aberto e sério, as pessoas que tinha-mos alí nossos fios, feitos com mais ou menos acerto, mas sempre com agarimo, não podemos recuperar. Ficão ocultos tras do veo ” dou-lhe ao rato, e não passa nada.”

Tudo mais, re-envião a umha página dos lumes do verão, que também fica abandonada, coma umha metáfora do proprio pais, agora seica “nação de Breogam”. O mau é que Breogán morreu há muitos anos e nós precissamos as respostas agora. Algúns mesturão mortos e vivos que da génio. Ainda hão de fazer que Breogam vote por correio.
A ver se os responsáveis do arredemo, quando puider, fão algo a respeito do tema.

Os responsaveis de que sejamos a “nação de Breogan” ou a Galiza dos galegos e galegas de hoje, também .

Peço a quem corresponda.

Obrigada.

Calamaro

Que fermosas as canções de Calamaro!

Agora escuto a fermossísima “Los aviones”.

As canções seguem a ser fermossísimas. Mas, agora que umha serve para anunciar umha marca de combustível e outra para anunciar também outro produto na tv., ele mudou, para mim.

Não sei se é pola idade, que a gente muda. E faz cousas tão diferentes ao que fazia anteriormente.

Um artista tem de se comprometer com certas atitudes fronte ao mundo que vive ou não?

Eu acredito que não só os artistas, mas todas as pessoas.

Calamaro presta sua fermosa voz num tango tão tristemente belo para anunciar umha marca de carburante que anda a medrar com suas explotações na América Latina.

E amola-me.

Não polo juiço que eu possa fazer de Calamaro, que é o de menos.

Mas pola canção.

Polo fermossísimo tango que fala da madurez, de volver a encontrar as cousas perdudas na explossão de angústia e felicidade que é a juventude , e que, agora, fica associado para senmpre à ditossa marca de carburante.

“Con el crudo en las bodegas volveré a buscar
Todo el tiempo vivido
Que hemos perdido sin protestar
Voy a probar primero al olvido
A lo ajeno, voy a pasar a retiro
De un tiro al culpable de mi soledad!
No se que quiero pero se lo que no quiero
Se lo que no quiero, y no lo puedo evitar
Puedo seguir escapando y aun lo estoy pensando
Lo estoy pensando pero estoy cansado de pensar
El marinero de río, no tiene calor ni frío
La ciudad no tiene puerto
Y se siente muy vacío
(Ay, que pena!)
Últimamente a perdido su capacidad de sorpresa
En un vaso de cerveza caliente fue que se la olvido
Quiero elegir del mapa un lugar sin nombre adonde ir
Será el lugar donde viva lo que quede por vivir
(y eso es mucho tiempo!)
Por eso de cada viaje me traigo el equipaje perdido
Por eso es que he decidido nunca olvidar, nunca olvidar
No se que quiero, pero se lo que no quiero
Se lo que no quiero, pero no lo puedo evitar
Puedo seguir escapando y aun lo estoy pensando
Lo estoy pensando pero estoy cansado de pensar
No se lo que tengo, pero se lo que no tengo
Se lo que no tengo, porque no lo puedo comprar
Puedo seguir cantando
Pero sigo esperando
Sigo esperando pero estoy cansado de esperar…”

Esta não é a canção da publicidade. Mas é muito fermossa, não é?

Espero que a não venda para outro anúncio de publicidade.

Terra e mar Para Susinho.29

A tua alma ta feita de terra e mar. Terra brava, de Soneira, pedra de grão do coração dos penedos de Magro e Pasarela. Pedra de mámoas e casotas. De valados à beira dos caminhos.

Mar de Camarinhas, dóce, mas arroutado e fero. Imprevissível.

Mar gris no meio dos montes, envoltos em nevoeiros de humidade.

Aos teus olhos assoma umha luz que vem de longe, umha luz de água salgada que sobe e baixa em marés de luz e escuridade.

Umha luz de terra, água e lua. Umha luz plutoniana de vivéncias soterradas.

Umha olhada forte, de canteiro antigo, de homem asisado.

Mas eu posso te olhar pequeno. Assim, pequerrechinho e tenro coma um bolinho de pão trigo com sucre e leite, aromatiçado com grainhos de anís.

Porque eu te vi por primeira vez, quando ainda ninguém te tinha visto.

Quando olhei teu corpo quente fumegando, no quarto, frio da madrugada, recém saido do meu corpo. umha manhã fria de novembro. Em Vimianço.

Sempre papeis

Para vir ao Rif, tive que encher umha moreia de papeis com a história completa dos mais de vinte anos de vida polas escolas da Costa da Morte, Barcelona e Dodro.

Agora chegou-me o momento de volver. E, como não ia ser menos, outra volta a encher papeis.

umha cousa sim tenho que dizer.

Em comparança com as administrações das Comunidades dos meus companheiros que quer se trasladar a canda mim, a Conselharia de Educação da Junta da Galiza, é a mais eficiente, melhor organiçada e com o pessoal mais atento, com muita diferença. Éumha grata surpresa comprobar estas cousas quando umha fica longe e tem ainda um aquel de complexo -involuntário, por suposto-de: “Viajeros al tren y gallegos también” tantas veces ouvido ainda que com outras palavras, porque na Costa da Morte não temos trem. Quedaram de o trazer com a República e ainda esperamos.

Pois o dito. Como se diz o mau, hà que dizer o bom.

Parabens ao serviço de ajuda aos mestres que quer concursar da Conselharia de Educação. Por eficientes, por engraçados e por me ter falado em galego do meu, o de toda a vida.

mesmo da gana de volver à casa.