Recuperando de Arredemo. Salif Keita
Estes dias de futebol, anda Alemanha cheia de africanos. Homens-Torre fortes e veloces coma lóstregos, que dão tudo de sim para lhe levar um bocado de ledícia aos seus siareiros,sempre ausentes na periféria do nosso redondo mundo...
Pois esso. Que gosto muito de os ver jogar contra as equipas sosas da Europa, ja tão conhecidas a força de ver aos jogadores -os Beckham, os Raules e os Ronaldos-até no caldo. Também gosto da minha cara Argentina, por suposto, e de algúm dos do Brasil...
Seguramente entre os jogadores das modestas selecções africanas, haverá algúm jogador de etnia mandinga, coma o músico que hoje quero apresentar-vos.
Ele sim é mandinga, dumha das famílias mais aristocráticas da sua etnia. Algo assim coma um príncipe.
Mas, na sua vida, há duas grandes contradicções...A primeira, o seu proprio nascemento. De pais mais negros que o carvão, como é natural,saiu alvino. Branco coma o leite. O seu pai sentiu-se maldicido pola peor mã sorte, segundo a tradição, e não comprendia por que a ele lhe tinha que pasar algo assim.
O raparigo fui medrando entre as milheiras de seu pai, onde caçava cotovias e babuinos, mentras as suas cordas vogais se musculavão até soar coma um orgão barroco numha catedral...
Mais tarde, quer adicar-se à música. Numha família da aristocrácia mandinga, os músicos tangem a kora para eles escuitar. Não anda um membro da família a tocar por aí , coma um calquera-coma um titiriteiro que diria minha avoa...-
Disgusto tremendo e fugida a Bamako onde se mete nas orquestras que tocavão polos locais de moda e incorpora guitarra eléctrica e ritmos de todo o mundo...
Assim até o 1979, ano no que emigra ao oeste, e vai parar a Abidjan. De alí a Washington, e mais tarde França. 35 anos adicado à música.
Logo, um dia, coma case todos que podem, decide volver...Outravolta a Bamako. Contacta cos mestres "griots" mais expertos, junta-se co tangedor de kora Toumani Diabaté e de gnoni, Mama Sissoko, construe um estudo de gravação na sua casa e tira o seu travalho mais completo, que leva o nome do seu avô: M'Bemba.
A sua história, mesmo semelha umha dessas histórias iniciáticas, nas que o protagonista, vai embora, percorrer os caminhos, e logo volve à sua aldeia, mais savio, para contar as marabilhas que descobre, arredor do lume da lareira tribal...
Essas histórias, dos herois que volvem, depois de tantas aventuras, coma o Ulisses da Odisseia, são umha metáfora da própia vida. Há que se independiçar dos critérios familiares, culturais e da tradição, para volver a os atopar, quando ja não nos fagão sentir a sua pressão, mas a sua alegria...

chúzame -