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A página da Rifenha de Vimianço

A Inocência

Filed under: Galiza — Rifenha at 2:48 am on sábado, novembro 25, 2006

A inocência é um estado de ignorância que as pessoas conservam mentras não se encontram de frente com qualquer fenómeno e o conhecem. A partir desse intre, já nunca mais volvem a ignorar essa realidade que, por conhecida, é mesmo reconhecida, por a ter visto já por primeira vez.

É, pois, a primeira vez que percebemos as cousas, quando em verdade a inocência faz que o nosso asombro e a nossa surpresa sejam auténticos e reais como a mesma vida, e quando marcam umha impronta impossível de borrar pela intensidade com que as vivimos.

Hà inocências que perdemos muito aginha, quando começamos a tomar conciência do que temos arredor. Essas inocências perdidas deixam nostalgias, saudade da emoção perdida da descoberta. Da laparada de lume que se acende umha soa vez, quando por primeira vez sentimos dentro de nós o éxtase e a vertigem de ter descoberto algo de nós mesmos aí fóra, e a alma estoupa de goço por se ter encontrado na água do rio, que corre, entre as árvores da ribeira, ou as folerpas que caem, ou o ninho dum pássaro, com seus ovinhos açuis, ou o recendo salgado e a inmensidade do mar. Mais tarde, no primeiro calafrio dumha olhada de desejo, na conciência da irracionalidade inmensa do proprio coração.

Mas também há inocências que não perdemos nunca. E outras, que nos faz perder a mesma vida, no seu decorrer, quando temos que aceitar o jogo doloroso dos contrários que conformão a realidade.

E essas não deixão nostalgias. Mas umhas pingas azedas de tristeça e decepção.

Na Galiza temos material abundante de ambas duas realidades provocadas pola perda da inocência.

A saudade da terra, tão fermosa que mesmo semelha umha ilusão, e a dor da realidade das pessoas que governam seu destino.

Cada dia descobrimos um novo capítulo da cobiça, a pouca inteligéncia e a parvoíce dos nossos políticos e dos que administrão nosso pais. Ja imos perdendo até acapacidade de nos surpreender com cada novo des-propósito.

Mas ainda há esperança. A cidadania, que não tem cobiças especulativas, nem de vaidade, nem de prebendas e pequenos favores que prendem a alma e a mente nas aranheiras da covardia.

                                                                     

Chuzame! chúzame -

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