Nunca tal se viu
Nunca tal se viu aquí, no Rif. A meados de junho e o sol ainda sem sair como é debido. Debe de ser porque sabe que ando algo cansa e não quer me abafar mais.Brétema, nuvens, vento levante...Há dias vim na tv que na Galiza ardiam coa calor. E eu durmindo ainda co meu edredom de plumas...O mundo ao revês.
O Suso, entusiasta, vai cada dia à praia, a ver se se pode banhar. Cada dia,volve sem dar o banho. O mar anda revolto, di. Os últimos quatro anos, banhavamos desde março ou avril até outubro.
Eu agradezo o manton de nuvens que nos protege da calor, mas boto em falta aquela luz branca, coma farinha, espalhada polo azul.
Agora escuito "Tuyo siempre" outravolta. Gosto de Calamaro como gostava de Bob Dylan quando era adolescente...Calamaro mesmo me tem um ar a Dylan...E a sua tristeça portenha é-me mais próxima. Porque conheço melhor a tristeça de B.A. que a da autoestrada 52...
Em B.A. tenho os meus únicos curmans. De B. A. é o meu único genro. em B.A. morreram meus dous tios por parte de mãe, sem nunca mais volver...Em B. A. conservo o único tio por parte de pai que tenho.Em B. A. há tanto fracaso,tantos sonhos esvaidos,tanta ausência, tanta saudade, tanta tristeça, tanta nostalgia do além-mar...E quase tuda de galegos...Na auto-estrada 52 não é o mesmo...
Definitivamente prefiro a Calamaro:
"Si alguna vez no me vuelven a ver
porque a mi, como a todo, se me olvida.
Algo va a quedar adentro tuyo siempre.
Algo que yo te dejé alguna vez..."

chúzame -