Èxtase e pánico

Achega-se o dia de ir embora.
Também, coma sempre que há mudanças, vai medrando a ansiedade .
Sempre me abafam as mudanças. A inércia, ou a gravidade, ejercem sobre mim a sua força, malia o paradoxo de as desejar...
Desejo mudar, sentir colores, sons e sençações novas ou distintas.
Mas também tenho medo de deixar o conhecido, familiar, habitual, para me enfrontar ao diferente.
Coido que são mais da quietude silenciosa da morte que do mobemento rebulideiro e ruidosso da vida...
São mais do pánico que do éxtase.
Se for um animal, não seria um caçador. Os animais caçadores sentem o éxtase de perseguirem e atraparem sua presa.
Eu seria um animal preso do pánico, inmobil e hipnotiçado polos olhos do meu depredador.
O meu depredador, agora, é o fim do curso, a viagem,o encontro...Tudo o que desejo, mas não sõu quem de o afrontar. Olha-me em fite e eu fico, tremendo,cum burato de vazio no meio do peito, á altura do plexo solar, do coração,sem folgos para nada. Não me mobo, não vou à rúa, não passeio, não ligo á familia, não decido.
Só vou ao meu travalho,volvo á casa e fico estantia, fronte ao ecrã do computador. Assim escrevo, estudo italiano,ando a opinar polo foro de Arroutadas,leio algumha novela policiaca, e...nada mais. Não tenho capacidade para decidir mobemento nemhum. O depredador olha-me em fite e eu não ouso alentar...
Ainda bem que existam os computadores e as novelas. Assim, o medo esquece-se um bocado...Ainda que sempre segue aí, ao axexo...
Espero que depois da viagem, e da mudança, o entusiasmo e o éxtase de ficar là, venha me acompanhar umha miguinha,quando abrace ao meu Susinho, ao Nés, a minha mãe... Quando alente o ar salgado de Camarinhas ou o dóce e saturado de erva de Vimianço...
Agora canta a mesquita. Allah Akbar. Allah, ou como queira que se chame, é muito grande. Inmenso na sua dimensão e na sua certeza, evidência e segurança.
Eu sõu apenas um pontinho de temor que lateja em este quarto, fronte ao ecrã do computador...
chúzame -