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A página da Rifenha de Vimianço

O amor

Filed under: Cousas minhas — Rifenha at 8:55 pm on luns, maio 22, 2006


O amor é vivencial, coma a liverdade, ou a morte...Só se conhece quando se vive e cada quem vive-o dum jeito diferente. O amor é a quentura do coração e das virilhas, o amor é o imsomnio,a tenrura,o amor é aprofundar no proprio coração e tentar chegar ao límite. O amor é umha procura de sim mesmo a través dos olhos, a pele, e a presencia de outro...Porque no outro, coidamos olhar-nos a nós mesmos, reflectados nas meninhas dos seus olhos de bosque ou de mar...Porque, a través do amor, aprendemos decerto como somos e, o que não amou, não se conhece...O amor quere chegar decote a Ítaca polo caminho mais curto. E depois asusta-se dos Cíclopes e Lestrigões que lhe saem ao paso...O amor é umha procura inútil, porque nunca se chega a Ìtaca. Ìtaca é o caminho.
E, ao fim, só queda a ferida do esquecemento ou a realidade intemporal da amizade...

Chuzame! chúzame -

Liverdade

Filed under: Cousas minhas — Rifenha at 11:00 am on luns, maio 22, 2006

Tal vez a palavra, junto com amor, mais traduzida e mais interpretada aos idiomas pessoais de cada quem. Todo o mundo fala da liverdade, mas, ainda que a palavra seja umha, o contido náo é o mesmo para tudos. Há palavras que se sabem, e outras que se aprendem. Ao longo da vida, o significado da liverdade vai mudando com nós e imos conformando o seu significado a base da sua propria caréncia nas nossas existéncias. Porque liverdade é umha palavra existencial. Ainda que poda parecer o contrário. Nao tem esséncia. Mas vivéncia. Depois de tantos anos procurando a liberdade, velaí que pouco a pouco, de vagar, fum atopando a minha propria liverdade: Cada dia tenho menos medo e cada dia sinto-me mais livre. Nao tenho medo a ficar sozinha...sempre ficamos sós. Tudos. Nao tenho medo ao ridículo.Nao tenho nada que perder. Nem imagem, nem status, nem categoria.Nao tenho medo à morte. Ela virá quando tenha que vir, como vem para todos, mesmo para as pessoas que eu queria...Elas passaram. Eu também.Nao tenho medo de nada. Só do medo. E da tristeça...

Chuzame! chúzame -

O peixe

Filed under: Africa — Rifenha at 7:11 am on luns, maio 22, 2006

A estas horas, no peirão vendem o peixe. Tambêm à tardinha, quando volvem os barcos do mar. Os da sardinha saem a esso das sete da tarde-hora marroquina-. Ao Suso e a mim,-mais a ele, por ter medrado entre barcos e peixe- encanta-nos ir à beira do mar e olhar como vão pasando os barcos, um tras de outro, cara o norte, ou ver como saem do peirão, coas duas gamelas detrás e vinte ou trinta homens a bordo, coma antigamente em Camarinhas...
Os peixes eiquí são muito bons: Meros, peixe espada, pescadinhas, salmoetes, luras, xibas, fifís, sardinhas, linguados, bertorelhas, robaliça...

Chuzame! chúzame -

O domingo

Filed under: Africa — Rifenha at 12:32 pm on domingo, maio 21, 2006

O domingo é dia de souk, e de praia. Desde primeira hora, a gente vai e vem cara o souk "de los pinos" coas suas saquetas de plástico negro, tão discretas.Alí podes mercar de tudo: espécias, henna para os cabelos, khol para os olhos, teas, sapatos, fruta, lambetadas,peixe ou cacharros...Também moitas cousas de segunda mão: queimadores da cozinha, pedaletas da bicicleta, bilhas, manilhas para as portas, e mesmo sapatons de caminhar e cousas de acampada que algûm turista deixou cà quando foi embora ao seu pais...

Volveram as nuvens mas são altas, esvaidas, e não escurecem moito o dia. Havemos ir jantar à praia, no chiringo. Sardinhas. Tomates e leituga.Froita fresca.E chá. Depois ler um pedaço debaixo do pára-sol...O ritmo do Rif, no domingo, é especialmente lento.A mais do vagar habitual, no domingo o tempo vai ao "ralenti", coma se quiser ficar estantio para sempre...

Chuzame! chúzame -

A noite

Filed under: Africa — Rifenha at 10:50 pm on sábado, maio 20, 2006

A noite em Al Hoceima é fermosa. Polas janelas abertas chegam as voces dos meninhos que jogam na rua à pelota, e as conversas das quadrilhas de moços que andam ao serão...Desde as seis até as oito da tarde, as ruas ateigan-se de gente que passeia e circula pola grande praça, parando-se a parolar em grupos. Muitos homens sentam nos cafés e bebem chá ou café com leite. Às cinco, comeza a hora do churros. Os pequenos aviamentos dos churreiros espalham o recendo por cada rua da cidade. Desde o café La Belle Vue,mentras bebes zume de laranja e chá aromatiçado, podes ver como a lua sae e sobe sobre o mar, primeiro vermelha, logo rosa e, ao fim, pálida e branca. Coma umha mulher que, ao pasarem os anos, vai mudando sua ilusão e tornando-se mais fria e mais distante...

Chuzame! chúzame -

O sol

Filed under: Africa — Rifenha at 1:19 pm on sábado, maio 20, 2006

O sol chegou hoje, ao Rif, sem contar, depois de tantos dias de nevoeiros e orvalho exóticos, mentras nos partes meteorológicos da península,se falava das calores gerais na outra banda do mar...
Hoje tudo é mais rifenho: A luz branca espalhada no ar, como a farinha, as mantas e as alfombras multicolores penduradas nos balcões e nas janelas,para se arejarem. As andorinhas volvem a voar alto. estes dias andavam desnorteadas, voando baixo, diante da janela...

Chuzame! chúzame -

Os campos do Rif

Filed under: Africa — Rifenha at 9:59 am on sábado, maio 20, 2006

No Rif não hà milheiras. Os campos do Rif são de trigo verde agora, em maio, e amarelos no verão...Também há algo de milho. Ma só nas veigas do rio Nekor ou em sitios húmidos e de terreno chão. O trigo sobe polas ladeiras das montanhas e espalha-se em vales e terraços de terra ocre e arrubiada...

Este ano foi de muita chúvia no Rif. Mesmo a brêtema coroou os curutos arredor da cidade até hoje. Vai ser um ano de bom trigo.

Ja chegaram as cereijas, as nésperas, os albaricoques, os pêssegos...Os souks ficam ateigados de fruta deliciosa . Arrecendente e colorida, amoreiada em pilhas, por entre os tomates, os pementos e a menta para o chá...

Chuzame! chúzame -

O tempo e o espaço

Filed under: Cousas minhas — Rifenha at 10:32 pm on venres, maio 19, 2006

Estou longe no espaço. Fico cá, na beira dum mar quente. Por esso é que confundo maio com agosto. Na Galiza ainda é maio. Ainda o milho novo está a nacer, frágil e tenro. Ainda se podem olhar os sulcos negros,paralelos, inçados de passarinhos verdes...

Chuzame! chúzame -

O escunchador escuncha nas espigas da memória

Filed under: Cousas minhas — Rifenha at 6:56 pm on venres, maio 19, 2006

E, agora, no mes de maio, os mares de milho de Vimianço, ondeando no vento que vem de além os penedos de Pasarela...O milho cencenado, coas espigas barbadas, movendo-se em ondas...Quantas veces eu sonhei navegar na minha barca, remando polos mares de milho, ti e mais eu, co nordés de popa...!As marés de milho e de erva para cortar...E o mar salgado , o sonho do além, que pode arrecender-se de tão perto...

Chuzame! chúzame -

O escunchador

Filed under: Cousas minhas — Rifenha at 5:30 pm on venres, maio 19, 2006

O escunchador é um ferrinho pequeno, atado cumha trença de pano, que se ata na mão para lhe tirar a casula ao milho.
Arredor da meda, cadaquém co seu escunchador, vão decobrindo as espigas de colores: Brancas, amarelas, vermelhas e mesmo negras...
Depois os carros de milho vão levando as espigas, chiando as rodas pola cárrega, e os petucos ficam vazios, esfolhados, entre a terra inçada de canhotos...
Mentras, o cabaço enche-se de milho novo e os primeiros frios do inverno, aparecem coas geadas que cobrem a terra e os caminhos...

Chuzame! chúzame -
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