“Tuyo siempre”

Umha das minhas canções preferidas de Calamaro.

” No importa si no venís conmigo.

Este viaje es mejor hacerlo sólo…”

Há viagens nas que ninguém nos pode acompanhar…

Temos que as fazer sós, tudo mais, cum cajato de vimbio, ou umha póla florescida de espinheiro alvar…

Cada quem cultiva, toda a vida, as pólas que lhe hão de fazer de cajato quando precise iniciar o caminho em soedade…

Mais um dia

Mais um dia.

Hoje abriu o céu. Há mais claridade e um chisco de brisa, que trae o arrecendo do mar:

“Matino di solle sulla barca

perdutti nel mare io e lei…”

Gosto moito de Adriano Celentano.

Também de Andrés Calamaro. Seica vem de apresentar um novo cd de tangos: “tinta roja”. Também gosto dos tangos.

Algúm dia hei de ir a B.A.

E, depois, alugar um carro e percorrer a Argentina assim, de vagar, de sur a norte. De Ussuahia a Iguaçú. E de Oeste a Leste: Desde Mar del Plata até Bariloche…

Inchallah…

Mais outro dia de nuvens

Este ano é diferente a tudos eiquí, no Rif. Levamos toda a primavera coas nuvens cubrindo-nos e as andorinhas a voarem alouladas, describindo círculos cruzados, coma as ideias que vem à nossa mente ao despertar, depois dumha noite de sonhos esquecidos.
As gaivotas não chiam, coma as de Camarinhas, que semelham velhas harpias tolas a berrar polos curutos dos telhados.

Eiquí não há moitas gaivotas. Há gatinhos: moitos gatinhos e gatinhas silenciosos e discretos, que circulam polas ruas à espreita de que alguém lhe tire um peixe, ou lhe ponha comida na porta, para que eles se acheguem a comer. O peirão está cheio de eles.E os restaurantes onde servem peixe e alcool-cerveja, vinho ou Jack Daniels- tem os seus gatos que andam a ve-las vir, por entre as mesas, reciclando, in situ, os resíduos orgánicos com gosto a mar e oliveiras…

Pola contra, não hà ratos. Nem ratas grandes dessas que che olham em fite, quando as atopas, de noite,algures dumha rua ou da tu propria casa, quando volves de ruar.
Contam que na Europa medieval, os gatos erão associados aos hebreus ou muçulmanos, assim coma às mulheres que tinham assuntos co demo. Com tal motivo, desatou-se umha campanha de persecução dos animais até quase os extinguir nos bairros das cidades onde moravão os cristianos.

Co tempo, as ratas invadiram as cidades portuárias e propagaram a peste que reduziu a povoação europeia dum jeito pavoroso…

Agora chamam de Vimianço. Seica ja tem a tortilha aviada para ir jantar à praia…

Vaia, ho. E eu eiquí, no Rif, coas nuvens e a brétema…

As estrelas

As ideias são estrelas fugaces a cair na superfîcie do mar.

O mar da conciência, escuro e quedo,ilumina-se com cada estrela que cai, desde o céu interior, viajando por caminhos cósmicos de serotonina.

Há datas sinaladas para as estrelas. Chûvias de estrelas fugaces , que caem, a eito, acendendo a superfîcie escura coa luz do seu arder. Pontos de luz que se consomem e se apagam, sem mais, ao contacto coa água.

De onde é que vem essas estrelas que chovem sobre o mar da nossa mente? De que galaxia lonjana de Leónidas e Perseidas procedem ?

Há, no mais fundo de nós, um ponto. Um espaço vazio que lateja. Um centro no que pende o péndulo do tempo do nosso coração, que se vai debulhando em cada oscilação.

Em esse ponto geram-se as estrelas e as galaxias do nosso pensamento. Aí fica o motor que move o nosso universo. De aí foge a vibração que depois tomará forma mais arriba, na superfîcie do océano, desenvolvendo seu patrão para aparecer co seu aspecto vissível diferente.

Mas, na realidae, tudo é um sonho. Umha chuva de estrelas momentánea. O único real é esse ponto. O ponto central equidistante que somos,desde o nosso nacemeto até a dissolução…

Al Gharb e Al Magreb

Al Gharb e Al Magreb são o espaço e o tempo. Ambos os dous respondem a um mesmo conceito, mas em diferente dimensão.

Al Gharb é o espaço. O oeste, o último lugar do mundo conhecido, por onde o sol se oculta cada tarde.

Al Magreb é o tempo. A hora do solpor. A hora da última oraçom antes da escuridade, orfa de sol.

Os europeus chamam Al Magreb a todo o norte africano . Para os paises de lingua árabe, Al Magreb é Marrocos nada mais.

O sol vai e vem, cada dia,polo céu. Al Gharb e Al Magreb ficam atados -ao espaço Atlántico, coas suas estações e mudanças-, e ao tempo do vagar e das pregárias…

Lua

A lua, desde o alto, reflicte a sua luz branca sobre o poço profundo da lagoa. A superfîcie da água, espelha e cintila coma azougue silente e encorado.
Dous cães negros ouveam em silêncio em cada em sua beira, as suas faces ergueitas cara o ceu.

Um caranguejo vermelho xorde, ateitinhando,na procura da terra firme.

Num recanto,aló ao longe, hà umha fogueira. Dirigimos os passos para alá, encantados, ao alviscar o lume. Quando ja estamos perto,e imos nos achegar, ficamos aterrados: A pele eriçada e a gorja anoada, ampeando pola angústia.

Meia dúzia de pessoas-homens, mulheres e meninhos-, comem carne humana -pernas, miolos, e mesmo olhos tirados das suas cuncas- arredor do lume em silêncio,sem apenas se mirar…

« La nuit, le chien observe la face de la Lune comme si c’était un miroir, et le contemplant, il croit qu’il y a un autre chien et il se met à aboyer sans répit ; mais sa voix vainement se perd dans le vent tandis que Diane poursuit son voyage nocturne – impassible ».

A casa

A casa era de pedra. Recebada por fóra e pintada de branco, cos dinteis das janelas coa pedra ao ar…Diante tinha umha curtinha e, arredor, os cabanotes e a barra da palha.

A eira tinha um muro arredor, e um cuberto para guardar a herba seca.

Na curtinha havia moitas árvores de fruta: Umha cerdeira, pereiras, castinheiros , nogueiras e até um ciprês. Diante da porta havia umha breveira, sempre cheia de merlos comelhons.

Umha roseira branca, de rosas sem recendo,ficava , coma um chafarís, no meio da erva, estendendo suas pólas arredor, numha caótica montanha de flores e espinhas…

Os coleccionistas

As sociedades europeias, ou “occidentais”-as outras não conhezo- caracterizam-se por ser eminentemente coleccionistas. Coleccionam conceitos, ideologias,tipos e anti-tipos, e logo orgaizam e dispõem em andeis,por categorias, coma numha biblioteca.Ou num super-mercado.

Também às veces, fão colecçõm de bolboretas e ordenam em caixinhas de vidro cum alfinete, bem preparadinhas, a criatividade, a poesia, as emoções que produz a beleça, ou que debe produzir, coas suas colores tão fermosas conservadas, mas sem vida…

Todas estas colecções são confundidas, por sistema, coa realidade, que nunca endexamais chega a ser descoberta porque, para cada intre, hà sempre umha proposta gardada no andel da colecção.

Assim, estas sociedades ficam mortas, e os seus individuos para viver, precisam de perder a submissom aos catálogos e ceivar-se para transitar polo seu proprio coração por um momento.
Mas esto ja o tem previsto a sociedade coleccionista, que guarda num andel umhas substáncias feitas à medida para o caso. Assim, entanto sonham com serem eles mesmos, passam a formar parte do andel dos arroutados…

Nas escolas comeza a aprendizagem. Continua nos Liceos, nas Universidades…

E, quanto mais sobem o individuo ou a sociedade na escala, mais mortos vão quedando…

Gostaria conhecer algumha outra sociedade, para ver se ainda no mundo queda algo vivo, real e não catalogado…

Amo…

Tua sombra branca que pasa, fugidia, polo vidro da

janela.

A música dos violinos de Vivaldi que soa, acompasada,

entanto a tua sombra se desliza e escapa,

ligeira,às minhas costas,mergulhar-se no planeta dourado

dos meus sonhos…

A tristeça chora bágoas de jasmim esmagado que esvaram, a fio,

pola luz dourada da tarde de outono…

Nos mapas do silêncio fica, marcada, esta hora.

Umha estrela cintila no seu oceano de luz,

no ponto exacto em que tua sombra, pasa, deslizando-se,

sobre o vidro da janela…