Mais outro dia de nuvens
Este ano é diferente a tudos eiquí, no Rif. Levamos toda a primavera coas nuvens cubrindo-nos e as andorinhas a voarem alouladas, describindo círculos cruzados, coma as ideias que vem à nossa mente ao despertar, depois dumha noite de sonhos esquecidos.
As gaivotas não chiam, coma as de Camarinhas, que semelham velhas harpias tolas a berrar polos curutos dos telhados.
Eiquí não há moitas gaivotas. Há gatinhos: moitos gatinhos e gatinhas silenciosos e discretos, que circulam polas ruas à espreita de que alguém lhe tire um peixe, ou lhe ponha comida na porta, para que eles se acheguem a comer. O peirão está cheio de eles.E os restaurantes onde servem peixe e alcool-cerveja, vinho ou Jack Daniels- tem os seus gatos que andam a ve-las vir, por entre as mesas, reciclando, in situ, os resíduos orgánicos com gosto a mar e oliveiras...
Pola contra, não hà ratos. Nem ratas grandes dessas que che olham em fite, quando as atopas, de noite,algures dumha rua ou da tu propria casa, quando volves de ruar.
Contam que na Europa medieval, os gatos erão associados aos hebreus ou muçulmanos, assim coma às mulheres que tinham assuntos co demo. Com tal motivo, desatou-se umha campanha de persecução dos animais até quase os extinguir nos bairros das cidades onde moravão os cristianos.
Co tempo, as ratas invadiram as cidades portuárias e propagaram a peste que reduziu a povoação europeia dum jeito pavoroso...
Agora chamam de Vimianço. Seica ja tem a tortilha aviada para ir jantar à praia...
Vaia, ho. E eu eiquí, no Rif, coas nuvens e a brétema...

chúzame -