XIII asalto Irmandiño. Vimianço

Já ando outra volta co encargo de fazer um blogue sobre a festa do Asalto à fortaleça dos Moscoso, em Vimianço.

De momento, andamos a pôr os alicerces.

Se querés passar por alí, já levo postas sete entradas com material da festa do ano passado.

O endereço é: http://asaltovimianzo.wordpress.com

Verés como, se pasás a miudo polo blog, havedes de vir à festa.

Este ano vai ser criminal!

Visitá-me também no escunchador, ei? Que agora, como ando no wordpress português por imperativo ortográfico, não vaia ser que só venham os irmãos do alem Minho e os brasucas.

O blog do asalto, anda polos eidos do blog em galego com grafias do espanhol porque, ao não ser algo de tema pessoal, adaptei-me às preferências dos organizadores.

Não tenho ainda as neuronas para debates de grafias. Nem para outros, por desgraça. Ou por sorte, que nunca se sabe.

Bom. Muitas apertas para todos e todas.

Bicos dos desta beira do Minho e beijos dos da outra.

Manhã de Reis

Esta é umha manhã mágica e profundamente consumista, como ven sendo norma de cada celebração no sistema de consumo espiral no que vivimos.

A mim, sempre me despertan tenrura as histórias de outros meninhos que, em outras circunstáncias, davam-lhe tudo a ilusão, sem receber nada por ela.

O ano passado, lembrei aquel poema tão fermoso de Miguel Hernández, que sempre lembro no dia de Reis.

Hoje vou-vos contar umha história real, também. Umha história dum tempo que, cronológicamente fica aí, na volta da esquina,ainda entre nós com recordos vivos, mas que, em quanto a consumo e parafernálias infantís, é a prehistória do Toys R US.

A história passou tal día como hoje, e os protagonistas erão minha mãe mais os seus três irmancinhos.

Eles nunca tinham agasalhos de Reis porque, meu avó, que era muito racional e ilustrado, dizia-lhes que não havia tais reis, que era tudo umha trapalhada e, minha avoinha, ficava sempre sem se poder mover, por um derrame cerebral que tivo de nova.

Um ano, os três irmãos, decidem dar um golpe de Estado e instaurar a triple Monarquia Mágica, no canto da República racionalista e o despotismo ilustrado no que viviam.

Abrirom a janela, e colocaram seus soquinhos no antepeito, a ver se os Reis Magos erão quem de passar sem deixar nada.

Minha avó, sentiu mágoa dos seus meninhos, e mandou pôr um chouriço dentro de cada soquinho. Não podia ir comprar, mas, a lomenos, sabia que os chouriços erão sempre bem recibidos e levariam umha alegria -alegria dio-la deia.Não há melhor alegria, que ter a barriga cheia-.

Bom, pois assim quedaram as cousas quando, na mesma nuite, entrou umha dessas borrascas atlánticas com dilúvio e os socos encheram-se de água até os amalhós .

Amanhã, quando foram polos agasalhos dos reis, viram um chouriço nadando num soco cheio de água.

Nunca mais volveram a teimar com os Reis Magos, após aquel desengano.

É umha história para rir.

Ou para chorar.

Como todas as histórias.


Boas Festas a todos

Esta tempada não fisse muita vida social virtual, nem da outra.

Estive, coma umha anacoreta, comtemplando o mundo desde a minha janela. Desde alí, vejo cousas formosas e disfruto fazendo as cousas que fazia quando era umha meninha que escuitava contos com paixão.

Quero deixar-vos a minha visão infantil do mundo que vejo pola janela e desejar-vos a todos os amigos, Felices Festas:

As árvores da beira do rio

Umha pólinha do azivinho que plantei o ano passado, por este tempo

O rio. Desde pequeninha sinto fascinação por ele.

É tempo de Natal, de crianças, de sonhos…O que não seja como umha criança não poderá entrar no reino de Deus. Ese reino de Deus que fica em nosso coração quando somos felizes…Prendamos a vela, e as luzes de colores, para celebrar que nasce o meninho solar que ha de quentar a terra para que floresça.

Alice in Wonderland

A história de Alice, preciosa rapariga que caeu numha tarde de verão por um burato e viajou por um mundo paralelo, guiada por um coelho branco enfeitado cumha grande cartola é, quando menos, inquietante.

Os diferentes ilustradores que trabalham nas primeiras edições, marcam cada um umha visão diferente.

Alice, segundo diferentes ilustradores:

A Alice de Arthur Rackham

Alice segundo Mabel Lucie Attwell

Segundo Sir John Tenniel

Os diferentes momentos da sua aventura vistos polos três desenhadores:

Sir John Tenniel, Mabel Lucie Atwell e Arthur Racham.

Três génios da ilustração para umha mesma história.

Amanhã, mais.

Peter Pã

Peter Pã nos jardins de Kesington, é outro relato nascido baixo a luz do norte.

J.M. Barry, era um escocês que vivía en Londres. Um homem miudo, tímido e amigo de passeiar polos grandes jardins londrinos. Se lestes sua biografia ou vistes o filme protagonizado por J. Deep de seguro conhecedes a história.

Eu não quixera cansarvos con algo que já sabedes, ainda que, se alguém mo pide, encantada da vida de a contar.

Por que Peter Pã?

Peter, en honor ao meninho que conhece no jardim, e acava sendo amigo, e Pã, em honor ao deus dos bosques tocador da siringa, com a que faz dançar às ninfas e ondinas nas nuites de lúa:

Arthur Rackham fui seu primeiro ilustrador, e também aquí se deixa sentir a luz atlántica e essa fantasia de bosques, jardins, e pequenos seres que vivem nas flores, na beira do rio, ou nas raizes das árvores mais velhas.

convivindo com esoutro mundo paralelo de gente grande, único vissível aos olhos da gente normal.

Hoje, os desenhos que triunfam, são os de Disney, porque são o mais claro exemplo da economía ilustratória:Dizem o máximo com o mínimo de traços. Para umha sociedade que tem pouco vagar, são o melhor. Mas eu sou dum tempo no que as tardes de inverno erão longas e frias, e gosto da contemplação de toda a beleça que a luz do norte guarda para o que saiba e queira ver.

Ademais de Rackham, o libro com a história do meninho que não quer medrar, é ilustrada por outros artistas.

Mabel Lucy Atwell , nada em Londres no 1879, é umha ilustradora de linhas mais simples, figuras mais limpas, mais planas, mas também ilustrou um Peter Pã bem fermoso:

De seguro se percebe a diferência

Este Natal, se ides agasalhar aos meninhos cum libro, reparade nas ilustrações. Hà verdadeiras obras de arte.

Amanhã, mais.

A luz do Norte

Todos os que vivimos na costa Atlántica de Europa, ao norte de Lisboa, sabemos qual é a luz que nos acompanha e nos envolve a maior parte do ano.

Ou como as nossas árvores mudam com cada tempo:



Nossos animalinhos adurminhados nas tardes de chuva:

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Por eso não é de estranhar que, se criamos ou contemplamos imagens fabuladas a partir da nossa realidade, nos sintamos fascinados e acabemos vendo nosso mundo como um lugar mágico onde comvivem seres e situações extraordinárias.

Era o que me passava a mim de pequena-e ainda hoje, pero esto é um segredo- e o contributo dos ilustradores de contos, era fundamental. Abriam as portas ao nosso mundo interior, para que puidessem aparecer as maravilhas , como no burato no que caeu Alice. Assim, quando passavamos à beira do rio, com as vacas, a mágia fazia brilhar a água e, de entre os fieitos, saía o sapo que tinha a Pulgarcita captiva aló, no fundo escuro das raizes dos abeneiros…

Um ilustrador do que gosto muitíssimo, é o británico Arthur Rackham, que, no decorrer dos últimos anos do século XIX e começos do XX, ilustrou as obras dos mais conhecidos autores de literatura “infantil”.

Ele ilustrou a primeira edição de Alice in Wonderwold, do Peter Pan in Kesington Garden de J.M. Barry, ou dos contos de Andersen e Grimm.

Quando conhecí, jà era adulta, mas jà vos digo que eu sigo a crer em todos os seres que vivem ocultos entre a erva da beira do rio, nas branhas da Gandra ou entre o musgo dos valados. Mesmo penso que as pinguinhas do resio são abalórios de diamante do manto da rainha Mab…

Mas…não falemos mais de mim, que hoje vou ao psiquiatra e ao psicólogo, e centremo-nos em Arthur Rackham.

Amanhã, contarei-vos algo dos seus trabalhos mais significativos. Hoje deixo-vos estas imagens, para pensar…



Luz do Atlántico norte

Amanhã, mais.

Fabricantes de sonhos

Como vimos muitas veces, a humanidade não pode viver sem mitos, sem imagens e histórias que lhe lembrem ese trasfondo de ilusão que tem os sonhos que, ainda que na nossa época digam que não é real, logo vemos aflorar manipulado desde fóra polos vendedores de doutrinas, religiões, objectos, comidas, bebidas e até roupa.

Eles, os vendedores, sim que sabem bem da realidade dos mitos.

E bem que nos fazem comprar à sua conta.

Eu prefiro guindar-me de cabeça no mar da fantasía, e hoje pensei em algo que vos pode interesar.

Como jà falamos abondo do mito do Natal, podemos dar um passeio de varios dias por outros territórios que nos levam dereito a nossa infáncia, que é a onde nos levam quase todos os mitos.

Quando um ou umha é criança, tem muita importáncia os contos e as histórias, com já falamos aquí outras vezes.

Mas, agora, vou-vos trazer umha parte dessas histórias muito importante e que não é a que se escuita, mas a que se ve.

Desde tempos inmemoriais, tem muita importáncia a interpretação visual das histórias , e se não, que lhe perguntem aos artistas do románico, contadores de histórias em pedra de grão, ou aos ilustradores monacais de Beatos e Libros de Horas ou ainda antes, aos pintores de frescos e escultores de estelas, aos artistas rupestres que plasmavam seus sonhos com sangue e carbão.


Quando era pequena, ia à escola da Toxa, que ficava aló, num alto, ao pé dos montes que rodeiam o meu val.

Ficava pasmada cada vez que abría um livro e olhava os desenhos. Fui esse amor polos livros e polas histórias que contavam, o que me faz aguantar sete anos dum particular Auswitchz com as freiras de Rubine.
Na Biblioteca, esquecia as penas quando a árvore dos sonhos volvia a me iluminar com sua luz.

Mas, como em tudo, os amores primeiros são os que nunca se olvidam, e o meu primeiro grande amor-livro, fui um exemplar de “Cuentos de Hadas de Andersen” que me agasalhou a minha mestra, de umha das suas sobrinhas.

Fui o agasalho melhor de tudos quantos me tem feito. Era grande, com tapas ilustradas e lombo de género. Mais tarde, meu avó, para que não romper, reforçou o género cum cartão duro e uns diminutos cravinhos que ele guardava na caixa dos parches, e quedou tão bem, que podía ler em calisquer postura, ainda que o livro for de tamanho grande.

A minha mestra já morreu. Era umha mulher muito boa e eu gardarei-lhe sempre fe polas muitas cousas que faz por mim. Pero, sobre tudo, polo libro que desencadeou a minha primeira paixão polas histórias sobre papel.

O libro, tinha varios contos de Andersen em espanhol :

La Sirenita,

El Baúl Volador,

El Cuello de la Botella,

La Hija del rey del Marjal,

Pulgarcilla,

Los Chanclos de La fortuna,

Los Cisnes Salvajes,

La Reina de las Nieves,

Los zapatitos Rojos,

El Patito Feo.


Todos eles histórias fermosas e muito bem traduzidas ao espanhol.

Mas, tinha algo mais que fazia que a minha atenção de meninha ficase engaiolada sem poder apartar os olhos: As magníficas ilustrações que contabam a história sem palàvras, dando lugar a que a fantasia ficase extasiada contemplando à Rainha das Neves que voava com o pequeno Kay por acima da terra, envolta em folerpas, no seu trineu tirado por cavalos brancos, cara o seu palácio da ilha de Spitzberg.

Ou aos doce cisnes que voavam com sua irmã, durmida, sobre o mar, passando a ilha da Fada Morgana, que te podia fazer durmir para sempre se baixavas .

Ou a pequena Gerda, descobrindo as roseiras no chapéu da velha maga , e lembrando a seu amigo Kay e às roseiras dosseus balcões.

Ou a Pulgarcilla durmindo na sua caminha de casca de noz com cobertores de pétalos de rosa… Até que vem o sapo e a leva para casar co seu filho.

Pois eso. Que ainda sigo mantendo um amor incondicional polas histórias, os contos e seus ilustradores.

De hoje em diante, iremos vendo a obra de alguns deles, a ver se vos emociona tanto como a mim.

Seguimos de cantareas

Pois é. O asuntinho das uito cousas faz-me maginar e, qué melhor jeito de transmitir o que penso, que cantando.

Claro que não canto eu, porque ainda não me gravaram no youtube. Mas fazede como se eu mesma for porque, ademais, gosto muito de cantar e ainda me lembro do tempo em que a gente cantava trabalhando, na taberna, após dum bom jantar de festa, ou quando lhe acaia.

Claro que, tudo mudou.

Aqui vos deixo cum duo que interpreta umha canção de circunferência. Os motivos de ficar na linha periférica são outros, mas também contam com minha empatia-simpatia.

Aperta:

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Mais umha vez

Vou aclarar um bocadinho o fio esse das uito cousas das que gosto.

Porque o senhor Ninsesabe enredando, enredando, faz-me cavilar em que cousas me fazem sentir bem.

Faz-me sentir bem a gente que vive na circunferéncia, na linha que bordea o círculo do estabelecido, porque na circunferéncia ficas entre os dous mundos :O do círculo e o do espaço exterior a ele. Tés a oportunidade de ver outras cousas que não vem os que ficam trepando ou correndo cara o centro. Tés, em definitiva, liverdade, a primeira cousa importante para mim.

Também há o tema da felicidade para toda a gente. Mas, a felicidade, só existe na presença do amor. Por esso é tão importante para mim afrontar a vida e cada umha das suas concreções momentaneas com amor, para assim ter umha visão mais ampla e um maior conhecimento da realidade. Só se conhece o que se ama e se restringes o amor a poucas cousas, poucas cousas has conhecer .

Para ilustrar todo esto que vos digo, vou-vos deixar um video que o explica. Poderia pôr outro calquera, mas este é bom para compreender, porque tem os dous elementos: A vida na circunferéncia e o respeito, a empatía -base do amor- e a alegria. A ver se o pilhades:
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Há filhos de muitas mães

Era um dito da minha avoa para explicar que cada pessoa é umha realidade diferente e que nunca podemos conhescer totalmente aos demais partindo das próprias referências.

Vou vos pôr um exemplo:

O outro dia, dia de Santos, fum ao campo-santo, como já vos contei.

Iamos a minha irmã, as rifenhas, o Suso, Cuquinho, o nosso cancinho de raça “cruzada” segundo os apontamentos do veterinário e mais eu.

Quando chegamos, era noitinha e o campo-santo era como umha silveira en flor cheia de velhinhas de fazer o caldo vermelhas. Eu senti-me transportada ao passado da infáncia feliz.

Pois entramos para adentro, todos e o cancinho com nós, dando-lhe ao seu rabinho muito contento.

De súpeto, aparez um homem duns trinta anos-podia ser meu filho, pola idade- vestido de gris e umha tira branca no pescoço e, olhando ao cão diz:

-Este perro!

E logo:

-Es suyo este perro?

-Sim. É meu

-No sabe usted que los perros no pueden entrar aquí?

-Não, eu não sabia. Como são criaturinhas de deus…

-Criaturas de Dios! Le gustaría a usted estar en una perrera?

-Depende…Do que há fóra.

O Suso foi embora com o cão e o tipo marchou a toda présa, antes de que puidesse explicar-lhe o de São Francisco de Assisi .Ou o de São Roque, e o seu cancinho que lhe lambia as chagas colhidas por ajudar aos leprosos.

Também lhe podia falar do respeito que merecem as pessoas maiores, quando te diriges a elas. Se for meu filho, ia levar umha berradura antológica.

Seica é o novo cura de Vimianço.